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Silveira cobra câmeras e marco legal mais duro para apps e discute eletromobilidade com DiDi/99 em Xangai

Ministro pressiona por medidas de segurança e apresenta matriz elétrica limpa do Brasil para atrair investimentos em veículos elétricos, recarga e baterias

Alexandre Silveira é recebido por executivos da Didi (Foto: Divulgação / MME)

247 – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se nesta segunda-feira (19/1), em Xangai, na China, com executivos da DiDi Global, controladora da 99 no Brasil, para discutir investimentos em eletromobilidade e cobrar avanços concretos na segurança de usuários e motoristas de aplicativos de mobilidade urbana, com atenção especial às mulheres.

Segundo a Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério de Minas e Energia, Silveira foi recebido por Jacky Chen, executivo responsável pela área de Desenvolvimento do Ecossistema Automotivo da DiDi, em uma agenda que conectou segurança, tecnologia digital, energia limpa e mobilidade urbana, com o objetivo de construir um ambiente regulatório mais moderno, seguro e atrativo a investimentos no Brasil.

A conversa ocorreu em um momento em que o transporte por aplicativo já se tornou parte estruturante da vida nas grandes cidades, mas segue marcado por lacunas de proteção e por debates sobre responsabilidades das plataformas. Ao colocar a segurança no centro da negociação, Silveira indicou que a expansão do setor e a transição para veículos elétricos não podem avançar dissociadas de regras claras e de mecanismos efetivos de prevenção a crimes e violência.

Contexto: mobilidade por aplicativo e o nó da segurança

Durante a reunião, o ministro defendeu o aprimoramento do marco legal do transporte por aplicativo, com garantias mais firmes de proteção a quem usa e a quem trabalha nas plataformas. A ênfase foi explícita: o recorte de gênero precisa estar no foco das políticas, tanto para passageiras quanto para motoristas.

Silveira sustentou que a segurança deve ser tratada como elemento estruturante do próprio modelo de negócios e do crescimento sustentável do setor, porque a confiança pública é o que dá lastro à expansão da mobilidade urbana mediada por aplicativos. Na prática, essa posição confronta a lógica de autorregulação frequentemente adotada pelas plataformas e amplia a cobrança por padrões mínimos e verificáveis.

O ministro também vinculou o debate de segurança a uma proposta mais ampla de modernização regulatória. A sinalização é de que regras atualizadas devem combinar inovação tecnológica, cooperação com o poder público e obrigações proporcionais ao alcance das empresas no cotidiano urbano.

Cobranças: câmeras, prevenção e articulação com a Justiça

Um dos pontos centrais da reunião foi a cobrança, por parte do ministro, da implantação de tecnologias de filmagem nos veículos, inspiradas em modelo observado na China, com a instalação de câmeras internas e externas. A proposta mira ampliar a rastreabilidade e a capacidade de prevenção e resposta diante de ocorrências envolvendo usuários e motoristas.

Ao detalhar o tipo de medida defendida, Silveira reforçou que a proteção precisa sair do discurso e se transformar em protocolos e ferramentas objetivas. Nesse sentido, o ministro associou a expansão do setor à adoção de padrões de segurança mais elevados e sustentou que a modernização do serviço deve ser acompanhada de mecanismos que reduzam riscos, especialmente para mulheres.

Em declaração registrada na nota do ministério, Silveira sintetizou a lógica do encontro ao destacar a convergência entre energia limpa, tecnologia e um marco legal com foco em proteção. E indicou que pretende ampliar o diálogo institucional: informou que irá se reunir com o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, para tratar de novas iniciativas legais voltadas ao setor.

A articulação com a área de Justiça e Segurança Pública busca construir soluções normativas integradas, com ações que ampliem a segurança, fortaleçam mecanismos de prevenção e aprimorem a atuação do poder público em parceria com as plataformas digitais. A mensagem política é direta: o governo quer envolver as empresas em uma lógica de corresponsabilidade, em vez de respostas fragmentadas ou meramente reativas.

Eletromobilidade: matriz elétrica limpa e vantagem estratégica do Brasil

Além das cobranças por segurança, Silveira apresentou à direção da DiDi Global a matriz elétrica brasileira como diferencial competitivo para a expansão da eletromobilidade. O ministro destacou que o país tem cerca de 90% de fontes limpas e renováveis, além de abundância de energia e um sistema elétrico robusto, características que colocariam o Brasil em posição estratégica para atrair investimentos sustentáveis no setor de transportes.

Ao defender essa agenda, Silveira enquadrou a transição para veículos elétricos como projeto de desenvolvimento com base em energia limpa, infraestrutura de recarga e inovação tecnológica aplicada ao transporte urbano. A aposta é que a combinação de oferta elétrica renovável e capacidade de crescimento pode reduzir custos e viabilizar escala, atraindo empresas globais e capital de longo prazo.

“O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição para a mobilidade elétrica. Temos uma matriz elétrica limpa, renovável e robusta, com abundância de energia e grande potencial de crescimento, o que nos permite avançar com segurança, competitividade e sustentabilidade”, disse Silveira, segundo a nota divulgada pelo ministério.

Na mesma linha, o ministro defendeu que políticas de eletromobilidade devem ser desenhadas para converter essas vantagens estruturais em benefícios concretos: investimentos, inovação e expansão da infraestrutura necessária para veículos elétricos, especialmente em centros urbanos.

Medidas propostas: área no MME, baterias e tarifas para eletropostos

Silveira também anunciou a iniciativa de criar uma área específica, no âmbito do Ministério de Minas e Energia, dedicada à agenda da eletromobilidade. A proposta, segundo o relato oficial, é articular políticas públicas, aperfeiçoar o ambiente regulatório e estimular investimentos em veículos elétricos, infraestrutura de recarga e inovação tecnológica aplicada ao transporte urbano.

Outro eixo apresentado foi a estratégia de reduzir o custo da energia elétrica por meio do uso de soluções de armazenamento em baterias. Silveira descreveu essas tecnologias como estratégicas para a estabilização do sistema elétrico e para o melhor aproveitamento da geração renovável, com menção especial às fontes solar e eólica no Nordeste, região apontada como de elevada abundância energética.

Ao tratar da infraestrutura de recarga, o ministro defendeu a implantação de eletropostos com tarifas diferenciadas, mais baixas em horários de maior oferta de energia. A lógica proposta é estimular o carregamento inteligente de veículos elétricos, aumentar a eficiência do sistema e reduzir custos para usuários e operadores, combinando planejamento energético e dinâmica urbana.

“Temos uma matriz elétrica limpa, renovável e robusta, com abundância de energia e grande potencial de crescimento”, reforçou o ministro, em outro trecho destacado na nota, ao argumentar que o desenho de incentivos e tarifas pode acelerar a adoção de veículos elétricos sem comprometer a estabilidade do sistema.

Investimentos e tecnologia: o peso da DiDi e o acesso a financiamento chinês

No encontro, Silveira citou informações de mercado segundo as quais a DiDi deve investir cerca de R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos anos, considerando a aquisição da 99, investimentos em delivery e programas estruturados de apoio a entregadores e eletromobilidade. O dado foi usado como referência para sustentar que há espaço para ampliar compromissos de longo prazo, alinhando investimentos privados a prioridades públicas de sustentabilidade e segurança.

Ao falar sobre a expansão da eletromobilidade, o ministro também destacou a importância do acesso à tecnologia de ponta e ao financiamento de bancos chineses, considerados instrumentos estratégicos para acelerar a implementação da eletromobilidade nacional, ampliar escala de projetos e reduzir custos de investimento.

A agenda, portanto, combina duas frentes que se retroalimentam: de um lado, a cobrança por um marco legal mais protetivo e por tecnologias de prevenção; de outro, a tentativa de posicionar o Brasil como destino privilegiado para investimentos em mobilidade elétrica, aproveitando a matriz limpa e o potencial de crescimento do sistema elétrico nacional.

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