60% dos brasileiros não confiam no STF, diz AtlasIntel
Percentual de desconfiança é o maior da série histórica do levantamento e desdobramentos do Caso Master pesam na avaliação
247 - A desconfiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal atingiu seu patamar mais elevado desde que a AtlasIntel começou a monitorar o indicador. Segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (20), 60% da população declaram não confiar na Corte, enquanto apenas 34% afirmam ter confiança na instituição. Os 6% restantes não souberam ou preferiram não opinar sobre a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro. O levantamento ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março. Os relatos foram publicados no jornal O Estado de S.Paulo.
Os dados da AtlasIntel revelam uma inversão significativa em relação ao início da série histórica: em janeiro de 2023, quando a pesquisa foi lançada, 45% dos entrevistados diziam confiar no STF e 44% manifestavam desconfiança — um equilíbrio que, ao longo de pouco mais de dois anos, cedeu lugar a uma maioria consolidada de ceticismo em relação ao tribunal. O índice representa uma queda de 15 pontos percentuais na confiança desde o segundo semestre de 2025.
O escândalo envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, aparece como pano de fundo da crise de credibilidade. Para 66,1% dos entrevistados, há envolvimento direto de ministros do STF no caso. Outros 18,9% afirmaram não ter opinião formada sobre o tema, enquanto 14,9% descartam qualquer ligação entre os magistrados e os crimes atribuídos ao banqueiro.
A percepção de interferência externa no funcionamento da Corte é ainda mais ampla. Segundo a pesquisa, 76,9% dos participantes avaliam que há "muita influência externa (de políticos, partidos e grupos poderosos) no julgamento". Outros 13% dizem perceber algum nível de pressão externa sobre o processo, e apenas 6,1% consideram que as decisões estão sendo tomadas com base exclusivamente em critérios técnicos e legais. A parcela que não soube opinar sobre o tema ficou em 3,9%.
A questão sobre quem deveria julgar o processo de liquidação do Master também dividiu os entrevistados — e a maioria se posicionou contra o STF. Para 53% dos participantes, o caso não deveria ser analisado pela Corte. Em sentido oposto, 36,9% defendem que o tribunal é o foro adequado para o julgamento, e 10,1% não têm posição definida sobre onde a investigação deveria tramitar.
O recorte por faixa de renda expõe uma divisão social relevante na relação dos brasileiros com o STF. Entre todos os grupos analisados, apenas o de maior poder aquisitivo — aqueles com renda familiar acima de R$ 10 mil mensais — apresenta saldo positivo de confiança: 48,5% afirmam confiar na Corte, contra 45,3% que declaram desconfiança.
O cenário se inverte de forma expressiva nas faixas de menor renda. Os brasileiros com rendimento familiar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil mensais são os que demonstram maior rejeição ao tribunal: 69,6% dizem não confiar no STF, ao passo que apenas 27,8% manifestam confiança na instituição — uma diferença de quase 42 pontos percentuais que aprofunda o fosso entre a percepção das elites econômicas e a da maior parte da população em relação ao Judiciário brasileiro.


