Advogado contrário à delação premiada deixa defesa de Daniel Vorcaro
Saída de Walfrido Warde ocorre diante de avaliações de que dono do Banco Master pode aderir à colaboração premiada
247 - A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou por uma forte mudança nesta quinta-feira (21), com a saída do advogado Walfrido Warde. O movimento ocorre em um momento de agravamento da situação do empresário, diante do avanço das investigações que o envolvem e de avaliações de bastidores sobre uma possível mudança de estratégia jurídica.
Segundo a coluna da jornalista Andréia Sadi, do G1, a decisão está relacionada à divergência em torno da adoção de uma eventual colaboração premiada, mecanismo ao qual Warde se opõe de forma consistente ao longo de sua trajetória profissional.
Racha na defesa ocorre em meio a pressão por delação
Nos bastidores de Brasília, cresce a avaliação de que a intensificação das investigações pode levar Vorcaro a reconsiderar sua estratégia jurídica. A discordância em relação a essa possibilidade teria sido determinante para a saída de Warde, conhecido por se posicionar contra a adoção de acordos de delação premiada.
O caso do Banco Master transformou-se em um dos principais escândalos financeiros do país, com forte repercussão política e institucional. A eventual colaboração de Vorcaro passou a ser vista como um fator capaz de ampliar ainda mais os desdobramentos do episódio.
Fraude bilionária e liquidação do Banco Master
Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). As operações sob investigação somam R$ 12,2 bilhões e colocaram a atuação da instituição financeira no centro das apurações.
Diante da gravidade do caso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o episódio como a “maior fraude bancária” já registrada no país. A declaração reforçou a dimensão do escândalo e a pressão sobre os envolvidos.
Disputa institucional e investigação sobre ataques digitais
Apesar disso, a decisão do Banco Central passou a ser questionada. O Tribunal de Contas da União determinou uma inspeção em documentos relacionados ao processo de liquidação, abrindo uma frente de análise sobre os procedimentos adotados pela autoridade monetária.
Paralelamente, o Banco Central tornou-se alvo de ataques digitais com o objetivo de desacreditar sua atuação. A Polícia Federal apura pagamentos milionários a influenciadores envolvidos nessas ações. Ainda assim, diante das fraudes já detectadas, a expectativa é de que o parecer técnico confirme a correção da decisão do BC.
Caso chega ao STF sob sigilo
O caso Master chegou ao Supremo Tribunal Federal no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli. Relator do processo, ele determinou sigilo total sobre os autos. Uma das primeiras medidas adotadas no âmbito do STF foi a realização de uma acareação, sinalizando o aprofundamento das investigações em um caso que segue produzindo efeitos relevantes no cenário político, econômico e institucional do país.


