Advogado preso pela PF é ligado a fundos do Master e pagamentos de propina
Investigação aponta que advogado preso pela PF teria atuado como operador de pagamentos ilícitos ligados ao Banco Master
247 - A prisão do advogado Daniel Monteiro pela Polícia Federal, realizada na quinta-feira (16), abriu uma nova frente de investigação sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que ele é cotista de fundos ligados à estrutura investigada e teria papel relevante na movimentação de recursos suspeitos, de acordo com a Folha de São Paulo.
Uma das principais linhas de apuração aponta que Monteiro teria utilizado essa rede de fundos para viabilizar pagamentos a mando de Daniel Vorcaro, proprietário do banco. A suspeita central é de que o advogado atuasse como operador de propinas destinadas a autoridades, dentro de uma engrenagem financeira considerada sofisticada pelos investigadores.
A Polícia Federal também realizou busca e apreensão de documentos ligados ao advogado, o que pode ampliar o alcance das investigações. De acordo com os investigadores, Monteiro teria recebido cerca de R$ 86 milhões do Banco Master, sendo considerado peça-chave na estrutura jurídica do suposto esquema criminoso.
Em nota, a defesa de Daniel Monteiro afirmou que o advogado foi surpreendido pela decisão judicial que determinou sua prisão. “Sua atuação sempre se deu de forma estritamente técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades alheias ao exercício profissional”, declarou. A defesa acrescentou ainda que “Daniel está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão integralmente esclarecidos”.
Os documentos indicam que Monteiro possui participação em dois fundos, chamados Le Mans e Ikran. Neste último, ele divide cotas com a empresa Attavic Consultoria e Participação, da qual também é sócio. Até março deste ano, ele figurava como administrador da companhia.
A investigação revela uma rede interligada de empresas e fundos. O fundo Ikran, por exemplo, tem participação no Hot Plasma, que por sua vez investe em um poço de petróleo na Bahia por meio da empresa Rubicão. Esta é administrada por Luiz Antonio Lombardi, que aparece vinculado a outras empresas conectadas ao mesmo grupo.
Outro elo identificado é o fundo Sebastian, que integra essa cadeia societária e tem relação com o fundo Le Mans, do qual Monteiro também é cotista. O Le Mans participa ainda de outros fundos ligados ao Banco Master, como o GT4, que controla empresas como Hipogrifo e Harpia.
A empresa Harpia, administrada por Ana Claudia Queiroz Paiva, é citada nas investigações como responsável pela operacionalização de movimentações financeiras de um grupo conhecido como “A Turma”. Segundo decisão judicial, há indícios de que ativos da Harpia tenham sido adquiridos com recursos desviados do Banco Master e utilizados para fins pessoais de Daniel Vorcaro.
Além disso, o fundo Le Mans tem participação indireta em duas aeronaves, vinculadas às empresas Pegasus e Harpia. Ana Claudia também mantém vínculo profissional com o escritório de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro, e aparece como administradora de outra empresa investigada pela PF, a Super Empreendimentos.
Monteiro foi preso na mesma operação que deteve o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. De acordo com a Polícia Federal, o advogado teria estruturado operações societárias e financeiras para aquisição e ocultação de seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões, supostamente destinados a Costa.
Mensagens trocadas entre Costa e Vorcaro também citam Monteiro. Em uma delas, o ex-presidente do BRB sugere que o advogado elaborasse e enviasse um contrato relacionado à estrutura entre o BRB e o Banco Master após uma operação entre as instituições.
O escritório do qual Monteiro é sócio, Monteiro, Ruso, Cameirão e Bercht Sociedade de Advogados, aparece entre os que mais receberam recursos do Banco Master entre 2022 e 2025, totalizando R$ 79,1 milhões. Em resposta anterior à divulgação desses dados, a banca afirmou que também enfrentou inadimplência por parte do banco e que parte significativa dos honorários não foi paga.
Segundo o escritório, foram conduzidos cerca de 28 mil processos judiciais relacionados ao Banco Master, com redução superior a R$ 305 milhões em passivos. “Esses números evidenciam, de forma objetiva, que os honorários efetivamente percebidos pelo escritório guardam estrita proporcionalidade com a magnitude, a complexidade e os resultados reais entregues ao cliente”, afirmou a defesa institucional da banca.


