Aegea e Sabesp avançam em disputa por fatia da Copasa
Empresas fizeram credenciamento prévio para tentar se tornar sócias de referência da estatal mineira, com 30% das ações
247 - A Aegea e a Sabesp se credenciaram para participar da disputa pela privatização da Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, em uma etapa preliminar do processo de desestatização da estatal mineira. As informações são do Valor Econômico.
O credenciamento não representa uma proposta formal de compra, mas funciona como um cadastro prévio para grupos interessados em se tornar sócios de referência da Copasa, com participação de 30% das ações. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, apenas os inscritos nessa fase poderão disputar a posição quando a oferta de ações for lançada.
O prazo para inscrição começou em 24 de abril e terminou nesta sexta-feira (8). Fontes próximas ao processo afirmaram não ter conhecimento de outros grupos cadastrados além de Aegea e Sabesp.
A Sabesp já havia indicado que faria a inscrição. Durante teleconferência com analistas realizada na manhã desta sexta-feira (8), para comentar os resultados do primeiro trimestre, o presidente da companhia, Carlos Piani, afirmou que a empresa se cadastraria no processo. Ele também disse que uma eventual parceria com a Equatorial ainda não estava confirmada, mas estava em discussão e seria vista como positiva.
De acordo com fontes citadas pela reportagem, Sabesp e Equatorial devem entrar juntas na disputa. A Equatorial é acionista de referência da Sabesp desde meados de 2024, quando a antiga estatal paulista passou por uma oferta de ações que resultou em sua privatização.
A Aegea também era considerada uma participante provável nesta fase do processo. Na semana passada, o presidente da companhia, Radamés Casseb, afirmou ao Valor que a operadora avaliava, junto a seus acionistas, uma proposta pela Copasa. O modelo em análise poderia envolver aporte dos sócios e a formação de um consórcio com a própria Aegea.
Apesar do avanço no credenciamento, ainda há dúvidas no setor sobre a etapa de propostas definitivas. A Aegea enfrenta questionamentos no mercado após o atraso na divulgação de seu balanço, episódio que levou ao rebaixamento de suas notas de crédito. A companhia também opera com alavancagem financeira pressionada, próxima ao limite previsto em contratos de financiamento, de quatro vezes a dívida líquida sobre o Ebitda.
Outro ponto observado pelo mercado é a exigência, no processo da Copasa, de uma declaração de idoneidade com termos considerados amplos. Segundo fontes citadas pelo Valor, essa condição poderia representar um obstáculo para a Aegea em razão de um acordo de leniência firmado em 2021 por uma ex-subsidiária, no qual a holding aparece como garantidora. A empresa, porém, avalia que não haverá impedimentos.
No caso da Sabesp, as dúvidas sobre o apetite pela Copasa surgiram há cerca de um mês, após declarações públicas de Carlos Piani com críticas à robustez do projeto. O executivo apontou que a Copasa renovou contrato apenas com Belo Horizonte, embora tenha mais de 600 municípios em sua base de ativos.
Procurada, a Copasa afirmou que “não comenta rumores de mercado sobre potenciais interessados no processo de desestatização”.


