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Agronegócio resiste à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro

Setor rural demonstra cautela com pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e considera alternativas após saída de Tarcísio da disputa

Senador Flávio Bolsonaro 15/01/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O agronegócio, considerado um dos principais pilares do governo de Jair Bolsonaro (PL), tem demonstrado resistência em aderir à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Diferentemente do cenário observado desde 2018, quando o setor se alinhou majoritariamente ao bolsonarismo, lideranças ruralistas agora adotam uma postura mais cautelosa e aguardam maior definição sobre a disputa no campo da direita, segundo reportagem do jornal O Globo.

Parlamentares e representantes do setor produtivo avaliam que o ambiente político atual é mais fragmentado, o que tem levado produtores a considerar diferentes nomes antes de fechar apoio. A decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de não disputar a Presidência contribuiu para essa indefinição, já que ele era visto como uma figura capaz de unificar a direita e dialogar tanto com o mercado financeiro quanto com o eleitorado conservador.

Nos bastidores, a avaliação de parte da bancada ruralista é crítica em relação ao nome de Flávio Bolsonaro. Um parlamentar com influência no setor afirmou que o senador “não seria o nome adequado para um país moderno”. Ainda assim, o mesmo interlocutor ponderou que, na visão de parte do grupo, o governo Lula (PT) seria uma opção menos favorável, ao alegar que “não respeita propriedades rurais, não prioriza a segurança e não transmite confiança para baixar juros”.

Diante desse cenário, cresce dentro do PL a discussão sobre a possível inclusão da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa de Flávio. Ex-ministra da Agricultura e referência no setor, ela é vista por aliados como um nome capaz de reduzir resistências e ampliar a credibilidade da candidatura junto ao agronegócio. Internamente, também é citada ao lado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como uma das principais opções.

Entre lideranças do agro, no entanto, a ideia é recebida com cautela. Há quem avalie que Tereza Cristina teria mais influência caso dispute a presidência do Senado a partir de 2027, ampliando o peso político do setor no Congresso. A própria senadora evitou estimular especulações e declarou: “Eu acho que o Flávio, por enquanto, sozinho, já mostrou que tem musculatura. Vice é uma das últimas escolhas que se faz numa campanha eleitoral e depende de muitos fatores, como os partidos que vão coligar. Tenho certeza de que ele vai escolher o melhor nome para que tenha sucesso”.

Sem Tarcísio no cenário eleitoral, outros nomes da direita passaram a ganhar força nas discussões internas do agronegócio. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tem sido citado com frequência. Médico e pecuarista, ele construiu trajetória política ligada ao movimento ruralista e mantém forte interlocução com o setor. Recentemente, seu governo aprovou a extinção da contribuição de produtores ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), além de implementar medidas como cancelamento de multas a pecuaristas e criação de linhas de crédito para a produção rural.

Outro nome lembrado é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que também vem sendo apontado como alternativa. Em seu segundo mandato, ele ampliou programas de infraestrutura rural, incluindo expansão da rede elétrica no campo, iniciativas de conectividade e políticas de crédito voltadas à produção agropecuária.

A diferença em relação a Flávio Bolsonaro, segundo interlocutores, é que Caiado e Ratinho governam estados onde o agronegócio tem peso central na economia, o que fortalece a relação direta com produtores e entidades do setor. Ainda assim, aliados do senador dentro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendem que ele possui credenciais para herdar o capital político do bolsonarismo no campo.

O deputado Evair de Melo (PP-ES), integrante da FPA, afirmou: “segurança jurídica, respeito à propriedade privada, rigor na economia e gastos reduzidos fazem sim do Flávio o escolhido. Caiado também é muito querido e respeitado. No momento certo, confio que a direita vai se unificar, seja no primeiro ou no segundo turno”.

Apesar dessas manifestações de apoio, a percepção predominante nos bastidores da bancada ruralista ainda é de cautela. Parte do setor demonstra dúvidas sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro de se consolidar como um nome agregador fora do núcleo bolsonarista. A definição de apoios, segundo parlamentares, dependerá da evolução das candidaturas e do cenário político nos próximos meses.

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