Alta do diesel chega a quase 25% em março, diz levantamento
Avanço do combustível nas distribuidoras pressiona custos do agro e preocupa impacto nos alimentos
247 - O preço do diesel S10 nas distribuidoras brasileiras registrou uma forte alta ao longo de março, chegando a quase 25% de aumento acumulado até a terceira semana do mês. O avanço acelerado acende um sinal de alerta para setores estratégicos da economia, especialmente a agropecuária, que depende intensamente do combustível para transporte e produção.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), divulgado pelo jornal O Globo, a alta acumulada passou de 19,71% na segunda semana para 24,98% na terceira semana de março, com base na análise de cerca de 257 mil notas fiscais emitidas por distribuidoras de combustíveis.
Diesel acumula forte alta no mês
A elevação do diesel se mostra mais intensa em regiões com forte atividade agrícola. No Centro-Oeste, principal polo do agronegócio nacional, o combustível acumula alta de 30,79%, refletindo o consumo elevado para transporte e escoamento de produção, como soja e arroz.
O impacto já começa a se espalhar por diferentes cadeias produtivas, elevando custos logísticos e gerando preocupação quanto a possíveis repasses para os preços finais dos alimentos.
Demanda do agro e cenário externo impulsionam preços
Mesmo com a desoneração total de tributos federais sobre o diesel, os preços seguem em trajetória de alta. A principal pressão vem do mercado internacional, com o petróleo registrando valorização desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Internamente, a intensificação das atividades agrícolas amplia a demanda por diesel, contribuindo para um cenário de oferta mais restrita.
Gasolina e etanol também registram aumento
Outros combustíveis também apresentam elevação no período. A gasolina comum acumula alta de 9,01% no atacado até a terceira semana de março, enquanto o etanol hidratado registra avanço de 1,39%.
Apesar disso, os reajustes nesses produtos ocorrem em ritmo mais moderado quando comparados ao diesel.
Postos operam com margens reduzidas
A comparação entre os preços praticados pelas distribuidoras e os valores cobrados nos postos aponta um aperto nas margens de comercialização, especialmente no caso do diesel. Em algumas regiões, como o Centro-Oeste, a redução chega a R$ 0,96 por litro, enquanto no Sudeste a queda é de R$ 0,54.
No segmento da gasolina, a compressão das margens é menor, ao passo que, no etanol, houve ampliação dos ganhos em determinadas regiões. Esse cenário indica que os postos têm operado com limitações para repassar integralmente os aumentos ao consumidor final.


