Alvos da Operação Carbono Oculto negociam delação premiada em São Paulo
Empresários foragidos são apontados como centrais em esquema que ligou o PCC ao setor de combustíveis
247 - Empresários investigados por integrar um esquema que teria permitido a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e na Faria Lima, centro financeiro da capital paulista, estão negociando um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). As informações são do jornal O Globo.
Foragidos da Justiça, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de Beto Louco, são apontados como figuras centrais da Operação Carbono Oculto, considerada a maior ofensiva já realizada contra o crime organizado no país. Segundo as investigações, o esquema teria possibilitado a atuação da facção criminosa em cerca de mil postos de combustíveis, responsáveis por uma movimentação estimada em R$ 52 bilhões entre os anos de 2020 e 2024.
Negociação de delação no centro da investigação
Deflagrada em 28 de agosto do ano passado, a Operação Carbono Oculto colocou Mourad e Silva no foco das autoridades como integrantes do núcleo responsável por estruturar práticas de fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro por meio de empresas do setor de combustíveis. O avanço da facção até áreas estratégicas da economia, incluindo o centro financeiro da Faria Lima, é um dos principais pontos investigados.
Alcance financeiro e estrutura do esquema
De acordo com os investigadores, o volume de recursos movimentados pelo grupo evidencia a dimensão da estrutura montada. A atuação no mercado de combustíveis teria sido utilizada como instrumento para dar aparência legal aos recursos obtidos de forma ilícita, ampliando a capacidade financeira da organização criminosa.
Possível impacto político das revelações
Em nota, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que a eventual colaboração premiada não terá caráter seletivo. "Qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis. Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos", declarou.
Caso as informações apresentadas pelos investigados envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função, a atribuição para conduzir a apuração caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por investigar e processar criminalmente deputados federais, senadores, ministros de Estado e o Presidente da República.
Papéis atribuídos aos empresários investigados
As investigações indicam que Mohamad Hussein Mourad tem ligação com o grupo Aster/Copape e foi descrito como o "epicentro das operações". Ele seria responsável por comandar a organização criminosa, articulando o uso de empresas para a prática de fraudes fiscais, ocultação de bens e lavagem de dinheiro, com apoio de familiares, sócios e profissionais cooptados.
Roberto Augusto Leme da Silva, por sua vez, é apontado como colíder da estrutura. Segundo os investigadores, ele era responsável pela gestão das empresas Copape e Aster, consideradas fundamentais para a execução das fraudes fiscais e para a circulação dos recursos ilícitos.
Operação cumpriu mandados em oito estados
Na primeira fase da Operação Carbono Oculto, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Procurado, o advogado Celso Vilardi, que representa Roberto Augusto Leme da Silva, não se manifestou sobre a negociação de um acordo de delação premiada. A defesa de Mohamad Hussein Mourad não foi localizada pela reportagem.


