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Amoêdo cobra explicações de Alexandre de Moraes e já fala em renúncia após revelação de mensagens

Ex-presidente do Novo afirma que ministro do STF deve tornar público o conteúdo citado em reportagem ou deixar o cargo

João Amoêdo (Foto: Reprodução/Facebook)

247 – O ex-presidente do partido Novo João Amoêdo defendeu que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes torne público o conteúdo de mensagens citadas em reportagem recente ou deixe o cargo. A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre supostas trocas de mensagens entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia em que ele acabou preso pela Polícia Federal.

Em publicação nas redes sociais, Amoêdo reagiu à controvérsia envolvendo o caso e cobrou esclarecimentos diretos do ministro. “Moraes tem que pedir para que o conteúdo seja tornado público e provar o que diz ou renunciar.”, escreveu.

A declaração ocorre depois que reportagem revelou que mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicariam que o banqueiro escreveu ao ministro do STF na manhã do dia em que foi preso, em novembro do ano passado. Segundo os registros mencionados na reportagem, o empresário teria perguntado ao magistrado se seria possível “bloquear” alguma medida relacionada à investigação.

A assessoria de Alexandre de Moraes contestou as informações divulgadas. Em nota, afirmou que o ministro não recebeu as mensagens mencionadas. “O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal.”

Diante da negativa do ministro, Amoêdo sustentou que a única forma de encerrar a controvérsia seria a divulgação integral do material apreendido na investigação. Para ele, a transparência seria necessária para esclarecer se houve ou não contato entre o magistrado e o banqueiro.

Debate público sobre transparência

A reação do ex-dirigente do Novo se soma ao debate que ganhou força nas redes sociais e no meio político após a divulgação do caso. Críticos e apoiadores do ministro passaram a discutir a necessidade de divulgação das provas mencionadas na investigação.

Enquanto parte dos comentaristas argumenta que a publicação do conteúdo poderia esclarecer definitivamente os fatos, aliados de Moraes afirmam que a reportagem distorce informações e que o ministro já negou de forma categórica qualquer troca de mensagens com Vorcaro.

O episódio ganhou repercussão porque envolve um ministro do Supremo Tribunal Federal e um banqueiro investigado por suspeitas de fraude financeira e corrupção de agentes públicos.

Investigação sobre o Banco Master

Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal após investigações que apuram a venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas ao Banco Regional de Brasília (BRB). O caso também envolve suspeitas de acesso ilegal a sistemas de investigação e corrupção de servidores ligados à supervisão do sistema financeiro.

No mesmo dia em que foi detido, Vorcaro tentava embarcar em um jato particular no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Dubai. Após a prisão, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

Pressão política aumenta

A declaração de Amoêdo ampliou a pressão política sobre o caso, ao sugerir explicitamente a possibilidade de renúncia do ministro caso não haja divulgação do material citado na investigação.

Embora não ocupe atualmente cargo público, o ex-presidente do Novo continua atuando no debate político e tem se manifestado com frequência sobre decisões do Supremo Tribunal Federal e temas ligados à transparência institucional.

Até o momento, Alexandre de Moraes não comentou diretamente a declaração de Amoêdo. A posição oficial do ministro permanece a expressa pela assessoria de imprensa do STF, que nega a existência das mensagens mencionadas na reportagem.

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