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Guilherme Amado diz que Gonet não tem alternativa, a não ser pedir investigação de Alexandre de Moraes

Mensagens encontradas pela PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicariam contato com o ministro do STF no dia em que ele tentava evitar prisão

Paulo Gonet (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 – O jornalista Guilherme Amado afirmou que a revelação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes torna praticamente inevitável que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, avalie a abertura de investigação sobre o magistrado no âmbito do chamado caso Master.

Segundo reportagem publicada pelo site PlatôBR, a existência das mensagens foi revelada pela jornalista Malu Gaspar e os registros teriam sido encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante as investigações.

Mensagem enviada no dia da tentativa de evitar prisão

De acordo com o relato apresentado na reportagem, uma das mensagens atribuídas ao banqueiro teria sido enviada às 7h19 do dia 17 de novembro, momento em que ele tentava evitar a execução de sua prisão.

Na mensagem, Vorcaro teria escrito: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”

O conteúdo indicaria, segundo a análise publicada pelo PlatôBR, uma interlocução direta que exigiria esclarecimentos adicionais, especialmente por ter ocorrido no mesmo dia em que o investigado buscava impedir medidas judiciais contra si.

Uso de mensagens de visualização única

Outro elemento mencionado na reportagem é que Moraes teria respondido por meio de mensagens configuradas como visualização única — recurso que permite que o conteúdo seja visto apenas uma vez e que normalmente não deixa registro permanente da conversa.

O texto ressalta que Moraes havia negado anteriormente ter trocado mensagens com Vorcaro e voltou a afirmar que os supostos registros não existiriam, classificando o episódio como parte de uma tentativa de ataque institucional ao Supremo Tribunal Federal.

Contexto da investigação da Polícia Federal

Ainda segundo o PlatôBR, a investigação conduzida pela Polícia Federal indica que Vorcaro já teria conhecimento prévio da operação que resultaria em sua prisão.

Esse conhecimento teria sido obtido, segundo a apuração mencionada, por meio de acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público. Dessa forma, ele já estaria tentando antecipar ou neutralizar medidas judiciais e administrativas que poderiam ser tomadas contra ele.

Nesse contexto, a existência de uma mensagem enviada a um ministro do Supremo perguntando se seria possível “bloquear” alguma medida deixaria de ser apenas uma hipótese ou especulação, passando a constituir um fato que, segundo o texto, exigiria análise formal.

Pressão sobre a Procuradoria-Geral da República

Até o momento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, vinha sustentando que não existiam elementos mínimos para abrir um procedimento envolvendo Moraes.

Com a revelação dos registros extraídos do celular apreendido pela Polícia Federal, porém, o debate ganha novo patamar. Segundo a avaliação citada na reportagem, a existência de comunicação direta entre o principal investigado do caso e um ministro do STF em um momento crítico da investigação amplia a pressão para que o Ministério Público examine o episódio.

Nesse cenário, argumenta o texto do PlatôBR, a dificuldade institucional deixaria de ser explicar por que investigar e passaria a ser justificar a decisão de não fazê-lo.

Em investigações relacionadas a corrupção ou tentativa de obstrução de Justiça, destaca a reportagem, a simples existência de mensagens indicando a busca de ajuda junto a autoridades costuma ser considerada suficiente para a abertura de uma apuração preliminar.

Caso esse material seja formalmente encaminhado à Procuradoria-Geral da República, conclui a análise citada por Guilherme Amado, caberá ao procurador-geral apresentar uma justificativa jurídica consistente caso opte por não instaurar investigação.

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