Vorcaro se preparou para explicar amizade com Moraes e contrato com escritório de Viviane Barci antes de ser preso
Ex-banqueiro dizia estar “tranquilo” e afirmava que a banca prestou serviços de compliance ao Banco Master; PF teve acesso ao conteúdo do celular
247 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já havia se preparado para explicar publicamente a amizade que construiu com o ministro do STF Alexandre de Moraes e o contrato que firmou com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, antes de ser preso na quarta-feira (4).
As informações são da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo o texto, o acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos. Além do contrato, Vorcaro mantinha encontros com Moraes e trocava mensagens com ele por meio do celular, o que já seria de conhecimento da Polícia Federal, que quebrou o sigilo das conversas e teve acesso ao conteúdo do telefone.
Ainda de acordo com a coluna, antes de ser preso Vorcaro se dizia “tranquilo” sobre o assunto, não escondia que se considerava amigo de Moraes e afirmava que a banca de Viviane —que tem entre os sócios Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do magistrado— prestou diversos serviços ao banco, “o que ele teria como provar”. Um dos serviços citados teria sido a confecção de manuais de compliance do Master.
O texto diz também que Vorcaro afirmava que a mulher, os filhos e outros sócios do escritório teriam feito várias visitas à instituição e que ele próprio teria se reunido com a equipe de advogados diversas vezes na sede da banca, em São Paulo.
Vorcaro negava interferências de Moraes em seu favor em processos judiciais e chegou a mostrar a tornozeleira que estava usando para dizer que, se o ministro tivesse interferido de fato, ele não estaria monitorado 24 horas por dia em prisão domiciliar.
A coluna afirma ainda que Vorcaro estava se preparando para depor na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na próxima semana e que, apesar de o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da comissão, afirmar que apenas assuntos relativos a negócios do banco e seus impactos no sistema financeiro seriam questionados, havia expectativa de que outros temas pudessem surgir, entre eles a relação do ex-banqueiro com ministros do STF.


