Anúncio precipitado de Lupi gera novo atrito entre PT e PDT
Presidente do PDT anunciou alianças em Minas, Rio Grande do Sul e Paraná e foi desmentido pelo PT
247 - Um desentendimento entre PT e PDT veio a público após declarações do presidente nacional pedetista, Carlos Lupi, sobre a formação de palanques estaduais para as eleições. A crise teve início quando Lupi divulgou nas redes sociais um encontro com o presidente do PT, Edinho Silva, e afirmou que teria recebido o apoio do partido para candidaturas do PDT em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e no Paraná, versão que foi rapidamente contestada pela direção petista, relata o jornal O Globo.
Na publicação, Lupi afirmou que o encontro serviu para “reafirmar a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula” e avançar em acordos regionais. Segundo ele, houve “a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no RS; de Alexandre Kalil em MG, e de Requião Filho no PR”. O dirigente acrescentou ainda: “Com a formalização interna do PT, nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses estados estratégicos“.
Pouco depois, o PT divulgou uma nota oficial desmentindo a versão apresentada por Lupi. De acordo com o partido, a reunião entre os dirigentes teve como objetivo apenas “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula” e “não teve como objetivo a definição dos palanques eleitorais nos estados”. A legenda ressaltou ainda que “as definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”.
O episódio gerou reação imediata em Minas Gerais. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT-MG), que se coloca como pré-candidato ao governo estadual, fez uma publicação em tom crítico nas redes sociais. “Eleição é um saco”, escreveu. Em seguida, completou: “No meu palanque só sobe quem eu quiser”.
Em Minas, o PT ainda não definiu sua estratégia eleitoral. Integrantes do partido se dividem entre apoiar Kalil, lançar uma candidatura própria ou apoiar o senador Rodrigo Pacheco (PSD), apontado como preferido do presidente Lula para a disputa estadual.
No Rio Grande do Sul, o cenário também é de divisão no campo progressista, com as pré-candidaturas de Juliana Brizola (PDT) e de Edegar Pretto (PT), presidente da Companhia Nacional de Abastecimento. Apesar de ambos sinalizarem disposição para o diálogo e a construção de uma possível aliança, até o momento nenhum dos dois demonstrou intenção de abrir mão da cabeça de chapa, mantendo o impasse entre as siglas nos palanques regionais.


