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União Brasil-PP adia definição presidencial e foca no fortalecimento no Congresso

Federação pretende esperar cenário eleitoral amadurecer enquanto prioriza eleição de deputados e senadores

Ciro Nogueira e Antônio Rueda celebram oficialização da federação União Progressista (Foto: Divulgação/PP)

247 - A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) decidiu postergar ao máximo a definição sobre qual candidatura apoiará na eleição presidencial de outubro. A estratégia passa por aguardar a consolidação do quadro eleitoral, considerado ainda indefinido no campo da centro-direita, enquanto o foco principal permanece na disputa por vagas no Congresso Nacional. As informações são da CNN Brasil.

Dirigentes da federação avaliam que a prioridade absoluta no momento é eleger o maior número possível de deputados federais e senadores. O cálculo político envolve não apenas a ampliação da influência legislativa, mas também a manutenção de um volume expressivo de recursos, especialmente do fundo partidário, que depende diretamente do desempenho eleitoral das legendas.

A leitura interna é de que o cenário presidencial segue nebuloso, o que dificulta uma escolha antecipada sem riscos. Tanto no União Brasil quanto no PP há divergências sobre o caminho a seguir. Uma ala defende o apoio ao senador Flávio Bolsonaro, do PL, enquanto outro grupo sustenta que os filiados tenham liberdade para se alinhar a diferentes projetos, inclusive à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo em estados do Nordeste, onde as disputas locais exigem maior flexibilidade.

Essa divisão reforça o entendimento de que as decisões nacionais precisam levar em conta as realidades regionais. Lideranças da federação defendem que a definição das alianças estaduais venha antes de qualquer posicionamento presidencial, para evitar impactos negativos na formação das chapas proporcionais. A avaliação é de que o debate nacional não pode comprometer a montagem de bancadas competitivas nos estados.

Atualmente, União Brasil e PP somam juntos 108 deputados federais e 13 senadores. Embora o objetivo seja ampliar esse contingente, há dirigentes que consideram satisfatório manter o patamar atual. Um crescimento de até 10% nas bancadas, nesse contexto, seria visto internamente como um resultado excelente.

O peso do fundo partidário entra de forma decisiva nesse cálculo. Pela legislação, 95% dos recursos são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados, enquanto os 5% restantes são divididos igualmente entre os partidos que cumprem os requisitos constitucionais. Em 2025, o União Brasil recebeu ao menos R$ 107 milhões desse fundo, enquanto o PP teve acesso a cerca de R$ 71 milhões.

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