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Após atacar Erika Hilton, Ratinho diz que defende a população trans

Apresentador se defende após ataques à deputada: “critica política não é preconceito”

Apresentador Ratinho (Foto: Reprodução / X / Ratinho)

247 - O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, afirmou que defende a população trans, mas sustenta que tem o direito de fazer críticas políticas a autoridades públicas. A declaração foi divulgada em um vídeo publicado em suas redes sociais nesta sexta-feira (13), após repercussão de comentários feitos por ele sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).

Na gravação, Ratinho argumenta que questionamentos dirigidos a representantes políticos não devem ser interpretados automaticamente como discriminação. “Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio”, afirmou.

Comentários sobre Erika Hilton geraram repercussão

A controvérsia começou após declarações feitas por Ratinho na noite de quarta-feira (11), em seu programa no SBT. Na ocasião, o apresentador comentou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados e contestou o fato de uma mulher trans ocupar o cargo.

Durante o programa, Ratinho afirmou que Hilton “não é uma mulher” e disse que, em sua visão, o posto deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero. “Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”, declarou.

Em seguida, o apresentador acrescentou que não teria nada contra pessoas trans, mas voltou a questionar a identidade de gênero da parlamentar. “Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, afirmou, dizendo que não considerou justa a escolha.

Em outro momento da fala, Ratinho reiterou que não tem problemas pessoais com a deputada, mas voltou a colocar em dúvida seu gênero. “Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, concluiu.

SBT diz que falas não representam posição da emissora

Após a repercussão das declarações, o SBT divulgou nota oficial afirmando que repudia qualquer forma de discriminação ou preconceito. A emissora também declarou que as falas do apresentador não refletem a posição institucional do canal.

“As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, informou o SBT.

Erika Hilton relata conversa com presidente do SBT

Em meio à controvérsia, a deputada Erika Hilton afirmou nas redes sociais que conversou por telefone com Daniela Beyruti Abravanel, presidente do SBT. Segundo a parlamentar, o contato ocorreu após ela enviar uma carta à emissora pedindo diálogo sobre medidas diante do episódio.

“Enviei uma carta e entrei em contato com a Presidenta do SBT, Daniela Abravanel, buscando um diálogo sobre a necessidade de medidas a serem adotadas pelas emissoras. Ela me atendeu prontamente, conversamos, e reforçou que as declarações do apresentador Ratinho não representam a opinião do SBT”, escreveu.

Hilton também destacou sua relação com a televisão e disse esperar avanços após o caso. “Sempre gostei da televisão. Por isso, espero que avancemos e farei tudo que estiver ao meu alcance para termos ambientes seguros para todas as mulheres em quaisquer espaços que elas estejam”, afirmou.

A deputada informou ainda que tomou medidas jurídicas contra o apresentador. Segundo ela, foi apresentada uma ação ao Ministério Público e também houve solicitação ao Ministério das Comunicações para a suspensão do programa.

Em sua manifestação pública, Hilton classificou as declarações como graves e disse que elas refletem “uma escalada preocupante” de discurso de ódio contra pessoas trans. “Um apresentador, em plena TV aberta, se sente autorizado a ridicularizar e debochar de toda uma comunidade que já vive historicamente sob estigma e ódio. Não recuaremos, não desistiremos e não aceitaremos ser violentadas de forma tão baixa”, afirmou.

 

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