Após contradizer Flávio Bolsonaro, Frias dá nova versão sobre repasses de Vorcaro
Parlamentar do PL afirma agora que relação jurídica do filme ocorreu com a empresa Entre, alvo de questionamentos sobre movimentações financeiras nos EUA
247 - O deputado federal Mário Frias (PL-SP) apresentou nesta quinta-feira (14) uma nova versão sobre a origem dos recursos utilizados no financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Na quarta-feira (13), após reportagem do site Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado US$ 24 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem, Frias e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas afirmando que não havia "qualquer centavo" de Vorcaro no projeto.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, o parlamentar alterou a explicação. Em nova nota, afirmou que não existiria contradição entre as versões apresentadas porque o vínculo jurídico do filme teria sido firmado com a empresa Entre.
"Quando afirmei anteriormente que não há 'um centavo do Master' no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", declarou Frias.
A mudança ocorreu após a divulgação de informações apontando que a Entre Investimentos e Participações teria transferido ao menos US$ 2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo tem como representante legal o escritório do advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Investigação sobre a Entre
A Polícia Federal avalia que Daniel Vorcaro atuaria como uma espécie de "dono oculto" da Entrepay, empresa liquidada pelo Banco Central em março deste ano. O diretor da instituição, Antônio Carlos Freixo Júnior, teve indisponibilidade de bens decretada e é apontado nos bastidores como operador ligado ao conglomerado empresarial associado ao banqueiro.
O Grupo Entre declarou ao Intercept Brasil que "não existe vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro". As mensagens divulgadas também mostram conversas entre Vorcaro e Fabiano Zettel. Em um dos diálogos, o banqueiro sugere realizar pagamentos "via entre", em aparente referência à Entre Investimentos e Participações.
O Banco Master também realizou pagamento de R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos, conforme declarações de Imposto de Renda da instituição financeira.
Notas e versões divergentes
Na primeira manifestação pública, Mário Frias havia afirmado que "não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse". O deputado também sustentou que o projeto foi financiado exclusivamente com capital privado e sem recursos públicos.
Já o senador Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado financiamento privado para o longa-metragem. Em nota, declarou: "No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet".
A GOUP Entertainment também divulgou nota afirmando que "não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".
A produtora acrescentou que o projeto foi estruturado "sem utilização de recursos públicos" e afirmou que conversas com empresários não configurariam necessariamente investimento efetivo.



