Após sumiço da vida pública, Paulo Guedes ressurge em palestra e aposta em vitória da oposição na disputa presidencial
Declaração do ultraliberal e ex-ministro do governo Bolsonaro foi feita no “Fórum da Liberdade”, em Porto Alegre (RS)
247 - O ex-ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o desempenho econômico pode influenciar o resultado das eleições no Brasil e levar a oposição ao poder. A declaração foi feita na quinta-feira (9), durante participação no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre (RS), após um período de ausência da vida pública. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Em sua fala, Guedes relacionou crescimento econômico e cenário eleitoral. "O Brasil vai crescer menos e eleitoralmente isso vai empurrar para o outro lado", disse. Durante a palestra, o ex-ministro argumentou, segundo sua visão direitista e ultraliberal, que políticas de aumento de gastos podem gerar inflação, elevar juros e reduzir o crescimento econômico. Ele associou esse cenário a possíveis efeitos nas urnas.
Guedes também comparou o Brasil ao Chile ao mencionar o comportamento eleitoral da união da direita naquele país. "No Chile, primeiro turno deu Boric 30% [referência à candidata apoiada pelo então presidente]. No segundo turno, deu Boric 30%. Aqui vai acontecer igualzinho", afirmou.
Ao abordar o cenário político internacional, o ex-ministro afirmou que há uma aproximação entre correntes liberais na economia e conservadoras na política e na cultura. "O importante é os socialistas fora do caminhão", disse. Ele também afirmou que essa combinação reflete o que chamou de "espírito do tempo" em diferentes países.
Guedes voltou a participar de evento público após período afastado. Antes de sua fala, conversou com nomes apontados como presidenciáveis, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Aldo Rebelo (DC).
Apesar da proximidade com setores da direita, o ex-ministro afirmou que está atualmente dedicado ao setor privado e não indicou apoio formal a candidaturas. Ao final, Guedes afirmou: "Nós não temos inimigo natural. Nosso problema somos nós mesmos".


