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Assessor de Trump teve visto revogado por ‘omissão e falseamento de informações’

Itamaraty diz que motivo real da viagem não foi informado no pedido

Darren Beattie (Foto: Departamento de Estado)

247 - O Ministério das Relações Exteriores revogou o visto de entrada no Brasil de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi tomada após autoridades brasileiras concluírem que houve omissão de informações relevantes no pedido apresentado para a viagem.

Segundo interlocutores do Itamaraty, Beattie declarou no processo de solicitação de visto que participaria de compromissos institucionais no país, mas não mencionou a intenção de visitar Jair Bolsonaro (PL), preso em Brasília.

De acordo com o jornal O Globo, integrantes do governo avaliaram que houve “omissão e falseamento de informações” sobre o real objetivo da viagem, fundamento considerado suficiente para negar ou revogar a autorização de entrada no país conforme a legislação brasileira e normas internacionais. Beattie era esperado em São Paulo na próxima semana para participar de um evento voltado à cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de minerais críticos.

Itamaraty aponta omissão no pedido de visto

Documentos apresentados no pedido de visto em Washington indicavam apenas a participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e reuniões com autoridades brasileiras. Não havia qualquer menção à intenção de visitar Bolsonaro. A defesa do ex-mandatário havia solicitado autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Beattie pudesse encontrá-lo na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília.

Lula comenta o caso e cita episódio com Padilha

Nesta sexta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou o episódio durante um evento realizado no Rio de Janeiro e afirmou que a entrada do assessor foi barrada. “Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, declarou Lula.

Na mesma fala, o presidente mencionou o episódio envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos”, acrescentou.

Moraes revê decisão e impede visita a Bolsonaro

Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia autorizado a visita de Beattie ao ex-presidente. No entanto, a decisão foi posteriormente revista.

Ao reavaliar o caso, Moraes considerou informações enviadas ao tribunal pelo chanceler Mauro Vieira. No documento, o Ministério das Relações Exteriores informou que o pedido de visto não mencionava qualquer intenção de encontro com Bolsonaro.

Na nova decisão, o ministro afirmou que a visita não estava vinculada às atividades oficiais indicadas na solicitação e citou o risco de “indevida ingerência em assuntos internos”, argumento apresentado pelo Itamaraty ao Supremo. A autorização solicitada pela defesa de Bolsonaro previa a visita nos dias 16 ou 17 de março, durante a passagem de Beattie pelo Brasil.

Posteriormente, também foi informado que o pedido de reuniões diplomáticas para o assessor estadunidense ocorreu apenas após o questionamento feito pelo STF sobre a viagem e a possível visita ao ex-mandatário. A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília solicitou encontros com autoridades do Itamaraty somente depois da solicitação de visita a Bolsonaro, sem que houvesse agenda diplomática previamente comunicada à chancelaria brasileira.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Visitas ao ex-mandatário dependem de autorização judicial.

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