Ato em São Paulo reforça defesa da democracia e repudia intervenção de Trump na América Latina
Manifestação marca três anos do 8 de janeiro e reúne juristas, artistas e lideranças políticas contra o golpismo e intervenções externas
247 - Movimentos populares, juristas, parlamentares e lideranças políticas se reuniram nesta quinta-feira (8), no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para um ato em defesa da democracia e contra o golpismo no Brasil. A mobilização ocorreu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e marcou os três anos da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, reunindo representantes de diversas frentes sociais e políticas.
Reportagem do Brasil de Fato destaca que durante o encontro, os participantes defenderam que o 8 de janeiro seja transformado em uma data cívica permanente, voltada à vigilância democrática e à preservação da memória histórica. Para Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo jurídico Prerrogativas, o caráter pedagógico do ato é central para evitar a repetição de ataques às instituições. “Nós precisamos registrar fatos como os que infelizmente ocorreram no país para que eles não voltem a se repetir. A memória tem esse caráter fortemente pedagógico. Nós não podemos esquecer, jamais, para que a coisa não se repita”, afirmou.
Na avaliação de Marco Aurélio, a resistência das instituições representou uma vitória diante de ofensivas fascistas que poderiam ter levado o país a um retrocesso irreversível.
Além do cenário nacional, o ato estabeleceu conexões com a soberania da América Latina e críticas à política externa dos Estados Unidos, atualmente governados pelo presidente Donald Trump. Simone Magalhães, do setor de internacionalismo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), relacionou a crise do capitalismo global à escalada da violência fascista e à disputa por recursos naturais na região. “Defender a democracia no Brasil é defender a soberania do povo venezuelano”, afirmou.
Segundo Simone, a cobiça internacional sobre a América Latina ameaça a autodeterminação dos povos. “O capitalismo está de olho nos nossos recursos naturais, nos nossos minerais e nos 16% de água doce que temos aqui. Defender a soberania dos países na América Latina é também defender o direito à nossa autodeterminação”, disse, ao pedir liberdade para o presidente Nicolás Maduro e para a deputada Cilia Flores, diante do que classificou como perseguição e bombardeio promovidos pelos Estados Unidos.
Organizado pela Frente Brasil Popular e pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, o ato foi marcado por palavras de ordem como “sem anistia” e “sem anistia e sem perdão, eu quero ver os golpistas na prisão”.



