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Banco Master pode ter causado rombo de R$ 4 bilhões ao BRB

PF e Banco Central indicam que fraudes em operações de crédito podem ter gerado prejuízo bilionário ao banco público de Brasília

Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Investigadores da Polícia Federal (PF) e fiscais do Banco Central (BC) descobriram indícios de que o Banco Master vendeu carteiras de crédito inexistentes ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 4 bilhões ao banco estatal, segundo informações do G1.

Agentes da PF e técnicos do BC identificaram que cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos consignados supostamente vendidos pelo Master ao BRB não correspondiam à realidade, o que motivou a fiscalização e ordenou que as operações fossem desfeitas. Parte dessas transações foi revertida, mas a avaliação preliminar aponta um impacto financeiro negativo para a instituição pública. 

O BRB realizou transferências de recursos antes mesmo de formalizar interesse em aquisição do Master, negócio que posteriormente foi bloqueado pelo Banco Central e que culminou na liquidação extrajudicial do banco privado de Daniel Vorcaro.

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, negou que as vendas tenham causado prejuízo ao BRB. Já os investigadores da PF e do BC mantêm a estimativa de perdas que ultrapassam R$ 4 bilhões, valor que pode pressionar o caixa do banco estatal.O esquema em questão integra a Operação Compliance Zero, conduzida pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal e com participação do Banco Central. As autoridades apuram se documentos apresentados nas negociações foram falsificados para justificar a transação de carteiras de crédito que não existiam de fato.

Especialistas ouvidos por órgãos de imprensa ressaltam que a venda de carteiras de crédito é prática comum no mercado financeiro, mas que a falta de lastro real nos ativos negociados torna a operação suspeita de fraude, o que explica a atuação rigorosa dos órgãos reguladores.

O caso ainda está sob investigação no STF, e eventuais outras irregularidades detectadas poderão ser objeto de inquéritos específicos para apurar responsabilidades e recuperar eventuais perdas ao sistema financeiro e ao próprio BRB. 

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