Brasil ainda pode evitar veto da União Europeia, afirma CEO da JBS
Gilberto Tomazoni defende ação conjunta entre governo e setor privado para atender exigências europeias sobre exportações
247 - O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que o Brasil ainda tem prazo para cumprir as novas exigências da União Europeia sobre produtos de origem animal e evitar restrições às exportações. Segundo ele, o desafio exige uma resposta coordenada entre governo e indústria, com foco em certificações oficiais, rastreabilidade e transparência.
As declarações foram dadas durante o Agro 360º, evento promovido por Brazil Journal e The Agribiz, segundo informações do Broadcast. Tomazoni avaliou que as empresas exportadoras brasileiras já atendem às normas aplicáveis aos produtos, mas ressaltou que a demanda europeia envolve garantias formais emitidas pelo governo brasileiro.
“As indústrias já fazem isso, os produtos já cumprem a legislação, mas não é isso que eles estão pedindo. Eles estão pedindo que tenha uma certificação oficial do governo”, afirmou o executivo.
A União Europeia prepara novas exigências que podem afetar o acesso de produtos de origem animal ao mercado europeu. Para Tomazoni, o Brasil ainda tem condições de se adequar antes da entrada em vigor das restrições, prevista para setembro.
“Nós temos tempo ainda, vamos correr, vamos agir rápido, vamos conseguir atender. Agora temos um tempo até setembro para provar que somos capazes”, declarou.
O CEO da JBS defendeu que a solução passa por uma atuação conjunta entre o setor público e a iniciativa privada. Segundo ele, o governo brasileiro já trabalha para construir as garantias exigidas pelos europeus, enquanto a indústria exportadora participa do processo para demonstrar conformidade.
“Tem de existir parceria entre governo e iniciativa privada. A União Europeia vai exigir garantias oficiais e o governo está trabalhando fortemente nisso. A indústria exportadora está participando para que possamos dar as garantias necessárias”, disse.
Tomazoni reconheceu que a medida representa uma barreira comercial, mas ponderou que ela também reflete regras aplicadas internamente aos produtores europeus. Na avaliação do executivo, a União Europeia busca equiparar as exigências impostas a fornecedores externos e produtores locais.
“É uma barreira mas, ao mesmo tempo, é uma legislação que eles usam para os produtores internos. Eles estão querendo ter equidade”, afirmou.
Questionado sobre uma possível demora do Brasil em se preparar para as novas exigências, o CEO evitou críticas ao processo e disse que a prioridade deve ser encontrar soluções para manter o acesso ao mercado europeu.
“Quando acontece, a gente olha para trás e fala que poderia ter feito isso ou aquilo. Mas ficar olhando para trás não vai resolver”, declarou.
Além do impacto imediato sobre as exportações, Tomazoni afirmou que o caso reflete uma tendência global de ampliação das exigências ligadas à segurança alimentar, à origem dos produtos e à rastreabilidade das cadeias produtivas. Segundo ele, países importadores tendem a reforçar controles em meio a um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e preocupação com o abastecimento.
“Claramente a gente vai viver com isso. Não vai ser a última vez que vai acontecer”, disse.
Para o executivo, o Brasil terá de investir em mecanismos permanentes de controle e transparência para preservar sua competitividade nos mercados mais exigentes. “Nós temos de construir sistemas de rastreabilidade e transparência para garantir que o Brasil possa acessar esses mercados exigentes.”



