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Brasil e China são os principais beneficiados por nova tarifa global de Trump, diz análise

Levantamento do Global Trade Alert aponta maior redução nas taxas para exportações brasileiras e chinesas com novo cenário

Lula e Xi Jinping em Pequim - 13/05/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - A nova tarifa global de 15% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve beneficiar principalmente China e Brasil, segundo análise do organismo independente Global Trade Alert. De acordo com o levantamento, o Brasil terá a maior redução na tarifa média aplicada às suas exportações para os Estados Unidos, com queda de 13,6 pontos percentuais, e a China aparece em seguida, com diminuição de 7,1 pontos percentuais. As informações são do Financial Times.

A nova medida foi adotada após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais grande parte das tarifas anteriores impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Diante da decisão judicial, o presidente anunciou inicialmente uma tarifa geral de 10%, posteriormente elevada para 15%. A alíquota entra em vigor na terça-feira (24) e terá validade de 150 dias, dependendo de nova autorização do Congresso para continuar em vigor.

EUA defende nova política comercial

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou no domingo (22) que o governo seguirá adotando medidas tarifárias. Em entrevista à CBS, ele declarou: "Não temos a mesma flexibilidade que o IEEPA nos dava", mas acrescentou que o governo conduzirá investigações que poderão permitir a imposição de tarifas se houver justificativa.

Greer afirmou ainda que espera continuidade no atual programa tarifário e explicou que a elevação da tarifa de 10% para 15% ocorreu porque "a urgência da situação exige que ele use plena autoridade". Segundo o representante, parceiros comerciais que já haviam firmado acordos com Washington, incluindo a União Europeia, não indicaram intenção de abandoná-los. "Não ouvi ninguém até agora vir até mim e dizer que o acordo acabou", declarou.

Impacto sobre aliados

A análise do Global Trade Alert aponta que aliados históricos dos Estados Unidos, como Reino Unido, União Europeia e Japão, devem sofrer impacto mais significativo com a nova tarifa. O Reino Unido, que havia negociado uma alíquota de 10% sobre muitos produtos, verá aumento médio de 2,1 pontos percentuais em suas tarifas. A União Europeia, que acertou uma taxa de 15% em acordo comercial com Washington, terá elevação média de 0,8 ponto percentual, com Itália e França entre os países mais expostos.

A Comissão Europeia afirmou que a situação atual "não é propícia para entregar um comércio e investimento transatlântico 'justo, equilibrado e mutuamente benéfico'". O órgão também declarou: "Um acordo é um acordo. Como maior parceiro comercial dos EUA, a UE espera que os EUA honrem seus compromissos". A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, declarou à CBS que "você quer saber as regras da estrada antes de entrar no carro", defendendo maior previsibilidade nas relações comerciais.

Investigações comerciais e encontro com Xi Jinping

Greer informou que o governo pretende abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais, inclusive relacionadas ao excesso de capacidade industrial em países asiáticos. Segundo ele, o objetivo é apurar práticas como subsídios agrícolas que prejudiquem produtores estadunidenses.

O representante afirmou também que a nova tarifa global não deve afetar a próxima reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping. Segundo ele, o encontro bilateral busca manter estabilidade e garantir o cumprimento de compromissos assumidos pela China, incluindo compras de produtos agrícolas e aeronaves da Boeing, além do envio de minerais raros aos Estados Unidos.

O Global Trade Alert observou que o cenário permanece incerto, uma vez que o governo sinalizou a possibilidade de adotar novas medidas específicas por país com base na Seção 301 da Lei de 1974. Investigações com base nesse dispositivo já foram iniciadas contra Brasil e China.

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