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Brasil e EUA negociam cooperação contra crime organizado

O governo Lula está focado em dois temas, informaram integrantes da cúpula do pasta da Justiça: lavagem de dinheiro e recuperação de patrimônio no exterior

Lula, ataque dos EUA contra a Venezuela e Donald Trump (Foto: Divulgação I Reuters)

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula com a gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um novo acordo de cooperação internacional com foco no combate às organizações criminosas e ao tráfico de drogas. O Brasil está focado em dois temas, informaram dois integrantes da cúpula do Ministério da Justiça: lavagem de dinheiro e recuperação de patrimônio no exterior. Segundo o SBT News, as reuniões bilaterais devem ocorrer em uma segunda etapa das negociações, após trocas de documentos entre as duas partes.

O acordo ocorre em um contexto no qual os EUA tentam ampliar a influência na América do Sul. Ataques à Venezuela, sequestro de Nicolás Maduro e ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, em áreas próximas do continente, foram algumas das iniciativas das forças estadunidenses desde o segundo semestre de 2025. Na América Latina, líderes progressistas denunciam violação da soberania de países da região.

O documento dos EUA sobre o acordo com o Brasil apontou que o objetivo é "garantir que o Hemisfério Ocidental permaneça razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar a migração em massa para os Estados Unidos; queremos um hemisfério cujos governos cooperem conosco contra narcoterroristas, cartéis e outras organizações criminosas transnacionais".

Ainda conforme a reportagem, os EUA estão interessados em evitar que facções criminosas da América Latina se instalem no território estadunidense e diminuir a entrada de armas ilegais no país.

Sinal de alerta

O interesse dos EUA no acordo é um sinal de alerta. Desde o segundo semestre do ano passado, o governo Trump anunciou o deslocamento de militares para as regiões do Caribe e do Pacífico. Forças estadunidenses fizeram pelo menos 35 ataques contra embarcações que, supostamente, tinham envolvimento com o tráfico de drogas. Pelo menos 115 pessoas morreram.

No caso da Venezuela, o interesse estratégico dos EUA não é o combate ao narcotráfico, mas as reservas de petróleo do país sul-americano, que tem mais de 300 bilhões de barris de petróleo. O número representa aproximadamente 17% das reservas globais.

No caso do Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou a rede social X com o objetivo de pedir que os EUA ataquem barcos supostamente com drogas no estado do Rio de Janeiro. O parlamentar respondeu a um post do secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciando um ataque a embarcações no Oceano Pacífico.

O senador da extrema-direita faz parte de um campo político oposicionista ao do presidente Lula e, assim como a família Bolsonaro, chegou a defender intervenções dos EUA no Brasil, principalmente por causa da investigação contra Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da trama golpista.

O ex-mandatário foi condenado a 27 anos de prisão. Lula e vários líderes progressistas no Brasil têm denunciado publicamente as tentativas de interferência dos EUA na soberania brasileira e de outros países da América Latina. Enquanto as forças estadunidenses lançam agressões no continente sul-americano, o Brasil pode estar apto a liderar a unidade latino-americana contra o imperialismo do governo Trump.

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