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Brasil vê redução de tensão com EUA e pressiona por fim completo das sanções

Integrantes da diplomacia brasileira afirmam que a narrativa de que Bolsonaro estaria sendo alvo de uma “caça às bruxas” perdeu espaço

Kuala Lampur, Malásia - 26/10/2025 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático-ASEAN (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O governo brasileiro avalia que a crise diplomática aberta com os Estados Unidos desde julho começa a ser superada, sobretudo após o anúncio do recuo parcial das tarifas de 40% impostas sobre produtos agrícolas nacionais. A informação foi publicada originalmente pela CNN Brasil. Em meio ao alívio inicial, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende intensificar a pressão por uma retirada completa das sanções — tanto as tarifas comerciais remanescentes quanto as medidas aplicadas diretamente a autoridades brasileiras.

Essas sanções foram impostas pelo governo Donald Trump sob a justificativa de que ocorria no Brasil uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar e condenado, em setembro, a 27 anos e três meses de regime fechado por tramar uma tentativa de golpe de Estado após sua derrota eleitoral. Como lembrou a CNN, Washington havia revogado vistos de ministros do STF e de integrantes do governo brasileiro e aplicado a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes e à sua esposa.

Diplomacia vê “fator Bolsonaro” superado

Integrantes da diplomacia brasileira afirmam que a narrativa de que Bolsonaro estaria sendo alvo de uma “caça às bruxas” perdeu espaço nas conversas recentes com Washington. Segundo interlocutores do Itamaraty ouvidos pela CNN, Lula e sua equipe tiveram oportunidade de explicar o andamento das investigações e reafirmar que o ex-presidente teve direito a um julgamento regular, o que teria contribuído para diminuir resistências do governo americano. Em razão disso, avalia-se não haver mais justificativa para manter medidas como a suspensão de vistos e a sanção Magnitsky.

Ao anunciar o tarifaço de 40% em julho, Trump havia mencionado Bolsonaro na carta enviada a Lula. No entanto, ao retirar parte da sobretaxa na quinta-feira (20), o presidente dos EUA evitou citar o ex-mandatário brasileiro. Desde o encontro rápido entre Lula e Trump nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro, o republicano não voltou a publicar mensagens sobre Bolsonaro, tampouco o secretário de Estado, Marco Rubio.

A única exceção ocorreu durante a reunião de mais de uma hora entre Lula e o americano na Malásia, quando Trump, perguntado pela imprensa, afirmou: “Sempre gostei dele, me sinto mal. Ele está passando por momentos ruins”.

Recuo parcial visto como gesto inicial

De acordo com fontes do Itamaraty, o anúncio de quinta-feira é considerado o primeiro passo efetivo desde a retomada do diálogo entre os dois governos. A retirada das tarifas para parte dos produtos agrícolas foi lida como um gesto político relevante, ainda que insuficiente. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o país seguirá negociando “com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta comercial bilateral”.

A avaliação interna do governo é que Lula conseguiu abrir um canal político direto com Trump, o que ajudou a arrefecer tensões construídas ao longo do ano. A CNN já havia informado que a negociação sobre o tarifaço vinha sendo tratada no mais alto nível entre Brasília e Washington.


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