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BRB foi a Bahamas e à Ilha de Jersey e descobriu fundos sem saldo nem liquidez oferecidos pelo Master

Investigações ocorreram pouco antes de o BC barrar a venda do Banco Master ao BRB

Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O Banco de Brasília (BRB) identificou que dois fundos de investimento oferecidos pelo Banco Master como parte da substituição de carteiras problemáticas não possuíam ativos nem liquidez. A apuração envolveu diligências internacionais realizadas na Ilha de Jersey, território próximo à Inglaterra, e em Nassau, nas Bahamas, onde supostamente estariam aplicados recursos em títulos do Tesouro americano. A informação foi revelada pelo Metrópoles. 

As descobertas ocorreram pouco antes de o Banco Central (BC) barrar a venda do Banco Master para o BRB. De acordo com a apuração, no processo de substituição das chamadas “carteiras podres”, o Banco Master ofereceu ao BRB dois fundos internacionais que, em tese, estariam lastreados em papéis do Tesouro dos Estados Unidos. Diante da relevância dos valores envolvidos, o BRB decidiu checar presencialmente a consistência desses investimentos.

Na Ilha de Jersey, o resultado foi considerado decepcionante. As diligências apontaram que, desde 2023, o fundo indicado pelo Master já não possuía qualquer recurso em suas contas, contrariando as informações repassadas durante a negociação.

Nas Bahamas, a situação não foi diferente. A equipe enviada para avaliar o fundo localizado em Nassau foi informada de que não havia títulos do Tesouro americano nem ações de grandes empresas em carteira. Além disso, não foi permitido o acesso ao conteúdo detalhado dos ativos, o que reforçou as suspeitas sobre a inexistência dos investimentos.

Essas constatações ocorreram às vésperas da decisão do Banco Central de impedir a venda do Banco Master ao BRB. Segundo as autoridades, foram justamente as carteiras problemáticas encontradas durante a análise da transação que motivaram a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em 18 de novembro. No mesmo dia, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

As investigações apontam que o valor das carteiras supostamente falsas negociadas com o BRB chegaria a R$ 12,2 bilhões. Conforme apurado pela Polícia Federal, o Banco Master teria utilizado uma empresa de fachada para captar e revender os papéis, sem efetuar qualquer desembolso financeiro real.Em depoimento prestado à Polícia Federal na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em 30 de dezembro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que o Master havia substituído a carteira inicialmente considerada podre por novos ativos, que totalizariam cerca de R$ 10 bilhões.

Segundo o relato, os R$ 2 bilhões restantes ainda estavam em fase de negociação quando o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, o que acabou interrompendo a operação. Os fundos localizados na Ilha de Jersey e nas Bahamas integravam justamente o conjunto de ativos avaliados em R$ 10 bilhões e entregues como substituição à primeira carteira considerada irregular.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal e de órgãos de controle, enquanto o Banco Central mantém as medidas adotadas contra o Banco Master, em um dos episódios mais sensíveis do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos.

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