Câmara e Senado priorizam pautas populares para evitar CPI do Master
Hugo Motta e Davi Alcolumbre articulam agenda com PEC da Segurança, Mercosul-UE e fim da escala 6x1 enquanto oposição pressiona por investigação
247 - Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal têm evitado avançar com a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes envolvendo o banco Master.
A estratégia, segundo relatos de bastidores, é concentrar esforços em pautas de maior apelo popular, reduzindo o espaço político para a instalação da comissão.
De acordo com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já sinalizaram a aliados que não pretendem autorizar a abertura da CPI destinada a apurar o caso. A avaliação nos dois comandos do Congresso é que o tema pode gerar desgaste significativo em um ano eleitoral.
Com o fim do recesso de Carnaval, a oposição promete intensificar a pressão pela investigação. Interlocutores dos presidentes das duas Casas, no entanto, afirmam que a resposta será a priorização de propostas com forte repercussão junto à opinião pública, deixando o caso Master em segundo plano.
Entre os temas que devem ganhar destaque estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1. A leitura de aliados é que a tramitação dessas matérias pode mobilizar a agenda legislativa e esvaziar o ambiente favorável à CPI.
Na Câmara, há atualmente 15 pedidos de CPI aguardando análise. Hugo Motta já declarou, em outras ocasiões, que respeitaria a ordem de apresentação dos requerimentos para definir quais comissões seriam instaladas primeiro, argumento que pode ser utilizado para postergar a análise do pedido relacionado ao banco.
No Senado, a pressão se concentra sobre Davi Alcolumbre. Senadores próximos ao presidente da Casa afirmam que ele não pretende “mexer no vespeiro” em pleno ano eleitoral. A avaliação predominante é que a abertura de uma CPI pode ampliar desgastes de forma imprevisível, afetando partidos e o tamanho das bancadas no Congresso Nacional.
Outro elemento que pesa na equação política são os desdobramentos das investigações sobre o banco Master em fundos de previdência estaduais. No início de fevereiro, a Amapá Previdência foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), que apura a aplicação de recursos de servidores públicos em carteiras vinculadas ao banco. Alcolumbre é apontado como um dos políticos mais influentes do estado.
Apesar da resistência das cúpulas da Câmara e do Senado, a pressão pela CPI tende a continuar. Mesmo com o apoio considerado tardio do PT à proposta, o deputado Rogério Correia (PT-MG) manifestou-se favorável à instalação da comissão. Em referência às CPIs mistas do 8 de Janeiro e do INSS, o parlamentar declarou: “Vai ser o terceiro tiro no pé que o bolsonarismo vai dar”.


