Cantanhêde: Moraes entra no foco de investigação no caso Banco Master após mensagens com banqueiro preso
Conversas Moraes e Daniel Vorcaro, reveladas pela PF, ampliam questionamentos sobre contrato milionário com escritório ligado à família do ministro
247 - A investigação envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo foco dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo análise publicada pela jornalista Eliane Cantanhêde no jornal O Estado de S. Paulo, o ministro Alexandre de Moraes passou a concentrar as atenções após o surgimento de mensagens trocadas com o empresário pouco antes de sua prisão.
De acordo com a colunista, o episódio representa uma mudança no centro das suspeitas dentro do escândalo que envolve o banco e possíveis relações com integrantes do Judiciário. Inicialmente, o caso havia colocado o ministro Dias Toffoli sob pressão, mas novos elementos trazidos à tona pela Polícia Federal ampliaram o debate e passaram a direcionar questionamentos também a Moraes.
No centro das dúvidas está um contrato estimado em cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à família de Moraes. O valor elevado e as circunstâncias da relação entre o banqueiro e o entorno do ministro passaram a ser analisados com maior atenção após a apreensão de celulares de Vorcaro durante a investigação conduzida pela Polícia Federal.
Segundo informações divulgadas pela colunista, os aparelhos revelaram trocas de mensagens entre o banqueiro e o ministro. Em uma das conversas citadas, enviada horas antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro, o empresário escreveu ao magistrado: “numa correria para tentar salvar” e perguntou: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Para Cantanhêde, o conteúdo da conversa levanta questionamentos sobre o contexto da comunicação e sobre o que exatamente o banqueiro buscava ao procurar o ministro naquele momento. A interpretação sugerida na análise é de que o empresário poderia estar tentando obter informações ou ajuda diante da possibilidade de ser alvo de uma decisão judicial.
A colunista também destaca que o ministro teria respondido por meio de mensagens enviadas no modo de visualização única — recurso em que o conteúdo desaparece após ser aberto. Esse detalhe, segundo ela, acabou aumentando as dúvidas sobre o teor da resposta.
Em paralelo, integrantes do Supremo e pessoas próximas à Corte passaram a manifestar preocupação com o que classificam como possíveis “vazamentos seletivos” de informações da investigação. A avaliação é de que os dados estariam sendo divulgados gradualmente, alimentando novas etapas da crise política e institucional envolvendo o caso.No início das revelações, o ministro Dias Toffoli foi alvo de críticas e questionamentos relacionados a supostos vínculos indiretos com empreendimentos associados ao banqueiro. Diante da repercussão, ele acabou deixando a relatoria do caso após pressão de colegas do STF.
Com a saída de Toffoli da linha de frente do processo, o foco das atenções passou a se concentrar em Moraes, especialmente por causa do contrato milionário e das mensagens agora reveladas. A combinação desses fatores, segundo a análise publicada, ampliou o debate público sobre a natureza da relação entre o banqueiro e integrantes do sistema de Justiça.
O caso segue em investigação e ainda não há conclusão oficial sobre eventual irregularidade envolvendo o ministro. Enquanto isso, as novas informações divulgadas alimentam discussões políticas e jurídicas sobre os limites das relações entre o setor privado e autoridades da cúpula do Judiciário brasileiro.


