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Supostas mensagens entre Vorcaro e Moraes eram de visualização única; as do banqueiro ficaram salvas no celular

Reportagem revela que dono do Banco Master e ministro do STF usariam registros de tela enviados como imagens temporárias no dia da prisão do executivo

Supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes (Foto: Reprodução redes sociais)

247 – Novas informações sobre o caso envolvendo o Banco Master indicam que as supostas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia da prisão do empresário foram enviadas em formato de visualização única. As revelações foram divulgadas pela jornalista Malu Gaspar em reportagem publicada pelo jornal O Globo.

Segundo a apuração, as mensagens fariam parte de uma sequência de contatos que teriam ocorrido ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O celular do dono do Banco Master foi apreendido no momento da abordagem policial e passou a integrar o material analisado pelos investigadores.

De acordo com a reportagem, o método utilizado pelos interlocutores dificultava a preservação das conversas. Tanto Vorcaro quanto Moraes escreveriam seus textos nos blocos de notas de seus celulares, tirariam registros de tela e depois enviariam essas imagens pelo WhatsApp configuradas para visualização única.

Supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes
Supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes(Photo: Reprodução redes sociais)

Esse recurso faz com que a imagem desapareça após ser aberta pelo destinatário, o que impediria o armazenamento permanente da mensagem no aparelho de quem a recebeu. Por esse motivo, as respostas atribuídas ao ministro do STF não aparecem no material encontrado no celular do banqueiro.

Já as mensagens enviadas por Vorcaro permaneceram registradas em seu próprio aparelho porque os textos foram redigidos previamente nos blocos de notas do celular antes de serem transformados em imagens e enviados. Assim, os arquivos originais permaneceram armazenados no dispositivo apreendido.

Segundo O Globo, esse procedimento permitiu que os investigadores recuperassem o conteúdo das mensagens atribuídas ao banqueiro, além dos horários em que as anotações foram criadas. A comparação entre esses registros e os horários de envio das imagens reforçaria a cronologia dos contatos ocorridos naquele dia.

A reportagem afirma que as trocas de mensagens se estenderam ao longo de toda a jornada da prisão do empresário, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Naquela ocasião, Vorcaro foi detido pela Polícia Federal antes de embarcar em um voo internacional no aeroporto de Guarulhos, em meio à crise que atingia o Banco Master.

Menos de 12 horas após a prisão, o Banco Central determinou a liquidação da instituição financeira, encerrando as operações do banco. O episódio provocou forte repercussão no sistema financeiro e abriu uma série de investigações sobre a situação da instituição e sobre as decisões tomadas nos bastidores durante a crise.

Vorcaro permaneceu preso por 11 dias e acabou sendo libertado por decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e a retenção de seu passaporte. Essas restrições permaneceram vigentes até novos desdobramentos recentes do caso.

Supostas mensagens entre Vorcaro e Moraes
Supostas mensagens entre Vorcaro e Moraes(Photo: Reprodução redes sociais)

Procurado pelo jornal, Alexandre de Moraes afirmou em nota que “não recebeu as mensagens referidas na matéria” e declarou que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. A defesa de Daniel Vorcaro, segundo a reportagem, informou que não comentaria o conteúdo divulgado.

As revelações acrescentam novos elementos a um caso que já mobiliza autoridades judiciais, reguladores do sistema financeiro e investigadores federais. A possível existência de contatos entre o banqueiro e um ministro do Supremo no momento mais crítico da crise do Banco Master amplia o debate público sobre a condução do episódio e seus desdobramentos institucionais.

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