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Zema cobra afastamento de Alexandre de Moraes

Governador de Minas Gerais questiona permanência do ministro no STF após mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro

Romeu Zema (Foto: Dirceu Aurélio / Imprensa MG )

247 - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, defendeu nesta quinta-feira (5) o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorreu após a divulgação de uma troca de mensagens entre o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no mesmo dia em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal.

De acordo com informações divulgadas publicamente e repercutidas no debate político, Zema utilizou a rede social X para comentar o episódio. Na publicação, ele relacionou a mensagem atribuída ao banqueiro ao contexto da investigação que levou à sua prisão.

O governador escreveu: “Moraes recebeu mensagem de Vorcaro no dia em que foi preso, pedindo para ‘bloquear’ alguma coisa. O banqueiro tinha 129 milhões de motivos para esperar que seus interesses fossem atendidos por Moraes. O Senado está esperando o quê para afastá-lo do cargo?”.

Prisão de Vorcaro e investigação da PF

A nova prisão de Daniel Vorcaro foi determinada com base em mensagens encontradas no telefone celular do empresário, apreendido durante a primeira fase da investigação. Segundo os investigadores, o conteúdo das conversas inclui ameaças dirigidas a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do banqueiro.

A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. As apurações também tratam de um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado à venda de títulos de crédito falsos.

Além dessas suspeitas, os investigadores analisam possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. De acordo com as apurações, as fraudes investigadas podem ter provocado prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores em casos de quebra de instituições financeiras.

Vorcaro já havia sido preso anteriormente no ano passado por determinação judicial, mas acabou liberado posteriormente mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

Conteúdo das mensagens investigadas

A decisão que determinou a nova prisão foi fundamentada nas mensagens encontradas no celular do empresário. Conforme apontam os investigadores, os diálogos revelariam ameaças contra pessoas que teriam contrariado seus interesses.

Entre os episódios citados na investigação estão ameaças dirigidas ao jornalista Lauro Jardim e a uma empregada doméstica. As autoridades também investigam a suspeita de que o empresário teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Segundo a Polícia Federal, há ainda indícios de que o banqueiro tenha acessado de forma indevida sistemas da própria corporação, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

Defesa contesta acusações

Por meio de nota divulgada por sua assessoria, Daniel Vorcaro contestou a interpretação das mensagens mencionadas na investigação. O empresário afirmou que o conteúdo teria sido retirado de contexto e negou ter qualquer intenção de intimidar jornalistas.

No comunicado, ele declarou: “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Vorcaro acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.

Na mesma nota, o empresário comentou também as conversas citadas nas apurações e afirmou que eventuais manifestações mais enfáticas ocorreram em caráter privado.

Ele afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

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