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Carta sugere migração de Boulos do PSOL para o PT; ministro não confirma

Dissidência interna afirma ter sido informada da saída e critica articulação. Boulos reage e fala em oportunismo dentro do partido

Guilherme Boulos (Foto: Flickr / Secretaria-Geral da Presidência da República)

247 - A possível saída de Guilherme Boulos do PSOL para se filiar ao PT intensificou tensões internas no partido, após uma dissidência da corrente Revolução Solidária afirmar ter sido informada previamente sobre a decisão. O grupo divulgou uma carta em que detalha bastidores da suposta articulação e critica a condução do processo pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, relata Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A coordenação nacional da corrente teria sido avisada na noite anterior sobre a decisão de Boulos de deixar o PSOL. A carta aponta que a definição teria ocorrido entre o fim de novembro e o início de dezembro, período em que também teriam sido negociadas condições políticas envolvendo sua esposa, Natália, para disputar eleições pelo PT.

De acordo com o documento, as tratativas teriam ocorrido em reunião com o presidente do PT em São Paulo, Kiko Celeguin, na Praia Grande. O texto afirma que a saída não poderia ocorrer de forma abrupta e que seria necessário “construir uma narrativa” para justificar a movimentação política.

A dissidência sustenta ainda que a proposta de federação entre PSOL e PT teria sido articulada com o objetivo de gerar uma crise interna que facilitasse a saída de Boulos. O grupo ressalta que a movimentação não seria simples, uma vez que envolve “centenas de militantes e diversos parlamentares” que possuem base política vinculada ao PSOL e não ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

O documento também critica a mudança de estratégia política do ministro, afirmando que ele teria abandonado o projeto de construção de uma base social de esquerda no PSOL para buscar protagonismo dentro do PT. Em tom crítico, a carta declara: “Boulos vai para o mais perto de Lula possível. E não é para a vaga do Catalão, conhecido garçom do Palácio da Alvorada, é para a CNB, corrente de Lula, Gleisi, mas também de Quaquá, dos Tatto e outros”.

Outro ponto levantado pela dissidência diz respeito ao tratamento dado à militância da Revolução Solidária. O grupo afirma que os integrantes “foram tratados como gado” e denuncia que parlamentares e pré-candidatos estariam sendo pressionados a migrar para o PT. Ao final, a carta faz um apelo para que militantes rompam com a corrente e permaneçam no PSOL para “enfrentar esta crise”.

Procurado, Guilherme Boulos contestou o conteúdo da carta e negou que haja definição sobre sua saída do partido. O ministro afirmou que o grupo interno do qual faz parte ainda está debatendo seus rumos políticos. Em resposta às acusações, declarou que “parte do PSOL resolveu se apequenar, revelando desespero e oportunismo ao redigir uma carta apócrifa”.

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