Caso Dark Horse abalou campanha de Flávio Bolsonaro, admite Rogério Marinho
Coordenador da pré-campanha reconhece que escândalo envolvendo o senador influenciou queda nas pesquisas
247 - O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reconheceu que a repercussão do chamado caso "Dark Horse" provocou desgaste político e impactou o desempenho do parlamentar nas pesquisas de intenção de voto.
Em entrevista ao jornal O Globo, Marinho afirmou que os efeitos da controvérsia poderiam ter sido menores caso a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tivesse sido divulgada previamente.
Segundo o senador, a exposição pública do pedido de recursos feito por Flávio para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou um abalo momentâneo na campanha, embora ele avalie que os efeitos não serão determinantes na disputa presidencial. "A campanha não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona", afirmou Marinho ao comentar o cenário eleitoral.
Marinho admite desgaste na candidatura
Ao analisar os impactos da controvérsia, o coordenador da pré-campanha reconheceu que houve prejuízo político para o senador fluminense. Para ele, a falta de divulgação prévia da relação com Vorcaro contribuiu para ampliar a repercussão negativa. "Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande", declarou.
O senador argumentou ainda que não houve contrapartida política nem favorecimento relacionado ao episódio e criticou o tratamento dado ao caso por adversários políticos. "Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha", acrescentou.
Prestação de contas é aposta para virar a página
Questionado sobre a promessa de Flávio Bolsonaro de divulgar a prestação de contas do projeto cinematográfico, Marinho afirmou que a expectativa é de que a medida encerre a polêmica e permita que o debate eleitoral avance para outros temas.
"Esperamos que após a prestação de contas, que será feita, as pessoas possam virar essa página e entender que nós temos um Brasil para discutir", afirmou. Apesar da repercussão negativa, o senador descartou qualquer possibilidade de substituição do pré-candidato do PL. "Flávio é o nosso plano A, B, C e F", disse.
Vice ainda será definido pelo PL
Marinho também comentou as discussões internas sobre a composição da chapa presidencial. Embora tenha evitado antecipar decisões, afirmou que o partido deverá aprofundar o debate nas próximas semanas.
Entre os nomes mencionados para a vaga de vice estão a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a pré-candidata ao Senado Priscila Costa e a deputada Simone Marquetto (PP-SP). "A minha opinião é que a gente tenha um vice que agregue e um perfil que case com o do candidato", afirmou.
Ao comentar declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, Marinho destacou que existem diferenças de estilo dentro do partido, mas convergência ideológica. "Na forma, cada um tem uma maneira de se colocar. No conteúdo, nós pensamos parecido", disse.
Reforma administrativa no centro da agenda
Na área econômica, o senador apontou a reforma administrativa como uma das prioridades de um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a proposta seria fundamental para reorganizar a máquina pública e combater privilégios.
"O Brasil é o país dos penduricalhos e privilégios. Você só administra o Brasil se fizer uma reforma administrativa para definir o que é carreira de Estado", declarou. Marinho reconheceu que a proposta não avançou durante o governo Bolsonaro, mas afirmou que a experiência permitiu identificar erros e aprimorar futuras iniciativas. "A nossa preocupação é não repetir os mesmos erros e potencializar os acertos", disse.
Críticas à PEC do fim da escala 6x1
O senador também criticou a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, aprovada pela Câmara dos Deputados. Para ele, a medida impõe restrições excessivas ao setor produtivo e pode gerar impactos negativos sobre a economia. "O governo pretende impor ao setor produtivo brasileiro uma camisa de força", afirmou.
Como alternativa, Marinho defende um modelo que permita ao trabalhador optar entre o regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e uma jornada baseada em horas efetivamente trabalhadas.
Segundo o parlamentar, uma mudança obrigatória poderia provocar aumento da informalidade, redução salarial e repasse de custos para preços de bens e serviços. "O mercado de trabalho é plural e diverso", concluiu.



