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Caso Master: Comissão de Ética Pública avalia denúncia contra Campos Neto

Representação aponta omissão na fiscalização do Banco Master após alertas de FGC e Febraban

Roberto Campos Neto. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

247 - A Comissão de Ética Pública abriu um procedimento para analisar a admissibilidade de uma denúncia contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A representação, segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, questiona uma possível omissão na fiscalização do Banco Master, instituição que teria ampliado a oferta de produtos financeiros considerados de alto risco.

O pedido de investigação foi apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que sustenta que o Banco Central recebeu alertas formais sobre a situação da instituição financeira.

Alertas do sistema financeiro

De acordo com o parlamentar, entidades relevantes do setor bancário teriam comunicado oficialmente o Banco Central sobre os riscos envolvidos. “Conforme divulgado em reportagem de ampla circulação, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) teriam encaminhado comunicação escrita ao Banco Central alertando sobre o aumento das vendas de CDBs arriscados promovidas pelo Banco Master”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que tais alertas indicariam conhecimento prévio por parte da autoridade responsável pela supervisão do sistema. “O dado possui especial relevância porque sugere a existência de ciência formal, objetiva e documentável, por parte da autoridade responsável pela supervisão prudencial, acerca da escalada do risco”, declarou.

Questionamentos sobre resposta institucional

Na representação, Lindbergh argumenta que os avisos poderiam ter exigido uma reação mais firme da alta administração do Banco Central. “A origem dos alertas reforça essa gravidade, pois o FGC ocupa posição estratégica no arranjo institucional do sistema financeiro e é diretamente afetado por práticas que possam socializar perdas privadas. A Febraban, por sua vez, congrega instituições financeiras que acompanham com atenção a estabilidade prudencial do setor”, disse.

O deputado também destacou que comunicações formais desse tipo deveriam acionar protocolos mais rigorosos. “Quando entidades com esse nível de inserção institucional, em tese, formalizam advertência escrita ao Banco Central, o fato deve ser considerado como elemento apto a acionar deveres reforçados de cuidado, registro, análise e resposta por parte da alta administração”, completou.

Defesa de Campos Neto

Em nota, Campos Neto rebateu as acusações e afirmou que sua atuação seguiu critérios técnicos. “Essa representação é leviana e irresponsável. Minha defesa vai se manifestar nos autos, com fatos e dados, de modo a demonstrar que toda minha atuação no Banco Central foi seguindo a boa governança e critérios técnicos”, declarou.

Próximos passos da Comissão de Ética

O procedimento aberto pela Comissão de Ética é sigiloso e representa a etapa inicial de análise. Nessa fase, será avaliado se a denúncia reúne elementos suficientes para a abertura de um procedimento preliminar, semelhante a um inquérito administrativo.

Após a análise das acusações e da defesa inicial, o relator poderá decidir pelo arquivamento do caso ou pela abertura de um processo formal no colegiado. Eventuais sanções têm caráter moral e político, sem consequências jurídicas diretas para o investigado.

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