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PF prepara relatório para investigar menções a políticos encontradas em arquivos de Vorcaro

Relatório será enviado ao STF e pode abrir novas investigações sobre supostos favorecimentos de políticos e autoridades ao Banco Master

André Mendonça (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Ton Molina/STF)

247 - A Polícia Federal (PF) prepara um relatório com os primeiros resultados da análise do celular e de arquivos do empresário Daniel Vorcaro, que podem envolver figuras políticas em possíveis favorecimentos ao Banco Master. O material reúne mensagens e documentos que estão sendo examinados por investigadores e podem embasar novos desdobramentos no caso.

Segundo o jornal O Globo, o documento será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso. A partir da avaliação do magistrado, poderá ser aberta uma nova frente de investigação, caso sejam identificados indícios que justifiquem a apuração formal.

Relatório da PF e possível abertura de inquérito

Investigadores já identificaram diversas menções ao senador Ciro Nogueira, presidente do PP, nos arquivos analisados. A PF avalia se há elementos suficientes para solicitar a abertura de inquérito, com o objetivo de investigar se houve atuação do parlamentar em benefício do banqueiro.

Para que o caso permaneça no STF, é necessário que sejam apontados indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, como deputados ou senadores, em possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Mensagens citam atuação política em favor do Master

Entre os materiais analisados, há registros de mensagens em que Vorcaro comenta uma proposta apresentada por Ciro Nogueira. O texto sugeria aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações financeiras em instituições em crise.

Nos diálogos, o empresário comemorou a repercussão da proposta: “Kkk todo mundo me ligando” (…) “Sentiram o golpe”. Apesar disso, a medida não avançou no Congresso por falta de apoio político.

Outro episódio envolve o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), aliado de Nogueira, que teria articulado um requerimento para acelerar a tramitação de um projeto de lei que permitiria ao Congresso destituir dirigentes do Banco Central. A iniciativa também não prosperou diante da pressão do mercado.

Em uma das mensagens analisadas, Vorcaro se refere a Ciro Nogueira como “um dos meus grandes amigos de vida”. Questionado sobre o tema, o senador afirmou manter relações com empresários, mas negou proximidade que configure irregularidade.

“Sou convidado para jantares, palestras, encontros. Agora, o CPF dele é um, o meu é outro. O que vai nortear minha trajetória de vida é minha história, e podem ter toda a certeza: se surgir algum dia alguma denúncia que seja comprovada contra o senador Ciro, eu renuncio ao meu mandato”, declarou.

Articulações políticas e operação com o BRB

As investigações também identificaram trocas de mensagens entre Vorcaro e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, durante as negociações para a venda do Banco Master.

Em uma dessas conversas, Costa menciona contato com Antônio Rueda, dirigente do União Brasil, que teria interesse em dialogar com o banqueiro. A operação previa a aquisição de 58% do capital do Master pelo BRB, em um negócio estimado em cerca de R$ 2 bilhões. A transação, no entanto, foi rejeitada pelo Banco Central, que posteriormente decretou a liquidação do Master diante de suspeitas de fraudes e dificuldades financeiras.

Por meio de advogados, Paulo Henrique Costa afirmou que as mensagens ocorreram “no contexto do exercício regular de suas responsabilidades como presidente do Banco de Brasília (BRB), no âmbito das relações institucionais e comerciais mantidas pelo banco”.

Outras relações e conexões investigadas

Os arquivos também revelam a ampla rede de contatos políticos de Vorcaro. Antes de ser preso, ele afirmava a interlocutores próximos que havia construído “fortes amigos” em Brasília e que esse tipo de relação seria essencial para atuar no país.

A investigação inclui ainda menções a serviços prestados ao Banco Master pelo escritório de Antônio Rueda, que confirmou ter realizado atividades jurídicas para a instituição, classificando-as como “atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país”.

Outro ponto abordado envolve o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, que recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora Reag entre março de 2023 e maio de 2024, conforme relatório do Coaf. Ele confirmou os pagamentos, afirmando que se referem a serviços de consultoria prestados de forma regular.

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