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Defesa de Vorcaro articula delação conjunta inédita no STF

Proposta envolve Polícia Federal e PGR em modelo inovador apresentado ao ministro André Mendonça

Defesa de Vorcaro articula delação conjunta inédita no STF (Foto: Divulgação )

247 - A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta considerada inédita no país: um acordo de delação premiada construído de forma conjunta entre a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A iniciativa foi levada ao ministro André Mendonça, relator do chamado caso Master, pelo advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, informa Caio Junqueira, da CNN Brasil.

Mendonça sinalizou de maneira positiva à proposta, que busca estruturar um modelo de colaboração que minimize riscos de contestação futura. A ideia rompe com práticas anteriores, inclusive as adotadas durante a Operação Lava Jato, em que não havia um formato integrado entre os órgãos de investigação e acusação.

Modelo inédito de delação no STF

A proposta apresentada pela defesa se destaca justamente por tentar alinhar PF e PGR em um mesmo acordo, algo raro no histórico de grandes delações no Brasil. Tradicionalmente, há disputas institucionais sobre quem detém o protagonismo das investigações, tema que inclusive segue em debate no próprio Supremo.

No caso envolvendo Vorcaro, o desafio é ampliado pela complexidade de suas relações políticas, descritas como amplas e suprapartidárias. Esse cenário exige um nível elevado de coordenação entre a defesa, os órgãos envolvidos e o próprio relator — algo que ainda não foi plenamente alcançado.

As divergências históricas entre Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República aparecem como um dos principais obstáculos à consolidação do modelo. Além disso, há fatores políticos e institucionais que dificultam o avanço das negociações.

A estratégia inicial da defesa de Vorcaro inclui a possibilidade de delação envolvendo políticos, mas sem atingir ministros do Supremo. A avaliação é de que a PGR não aceitaria um acordo que implicasse diretamente a Corte.

Apesar das dificuldades, interlocutores que acompanharam a reunião entre o advogado e o ministro indicam que há expectativa de que seja apresentada uma delação considerada “séria”, com foco em responsabilizar efetivamente aqueles envolvidos em eventuais irregularidades relacionadas ao caso.

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