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Caso Master: denúncias revelam contratos mensais, cláusulas de confidencialidade e pagamentos por críticas ao BC

Influenciadores dizem ter sido procurados em dezembro, e PF investiga possível ação coordenada nas redes sociais

Logo do Banco Master (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 - As denúncias envolvendo os supostos ataques coordenados ao Banco Central aumentam cada vez mais. Segundo informações do G1, um criador de conteúdo digital de São Paulo afirmou ter recebido R$7,8 mil por uma única postagem com críticas à instituição após esta decretar a liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Segundo o influenciador, a publicação foi feita em dezembro e, após o episódio, ele recusou uma proposta de contrato com duração de três meses para a produção contínua de conteúdos semelhantes.

De acordo com o relato, influenciadores foram procurados por agências de marketing digital naquele período para realizar postagens críticas ao Banco Central e favoráveis ao Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes. As propostas previam contratos de três meses, com a publicação de oito vídeos por mês. A movimentação coincidiu com o período em que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou um volume elevado de ataques ao Banco Central nas redes sociais. A Polícia Federal informou que vai investigar se houve uma ação coordenada.

Acordos e pagamentos

O influenciador de São Paulo falou sob condição de anonimato e disse ter sido procurado por Júnior Favoreto, da agência Group BR. Documentos apresentados ao G1 mostram que o pagamento de R$7.840 foi realizado em 19 de dezembro, no mesmo dia da publicação inicial. O comprovante indica que o valor saiu da conta de Thiago Miranda, responsável pela Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi.

O criador do conteúdo afirmou que apagou a postagem dois dias depois, por considerar que o material "ultrapassa limites éticos". Ele declarou ainda que devolveu o valor recebido e decidiu não seguir com novas negociações. "Num primeiro momento, agi de boa-fé. Não tinha entendido que vinha de Vorcaro. Achei interessante, diferente do que eu estava pensando", afirmou. "Fui entender depois de fazer a coisa."

O contrato oferecido previa a participação da Miranda Comunicação e da empresa Olivetto Comunicação. Pelo texto, a Miranda seria responsável por fornecer "as matérias, links e orientações do tema a ser tratado, com antecedência suficiente para produção e validação".

Procurado, Thiago Miranda não respondeu às mensagens nem às ligações da reportagem. A Olivetto Comunicação informou, em nota, que foi procurada apenas para indicar influenciadores e que nenhum deles aceitou a proposta, não havendo contratação nem veiculação de conteúdo.

O documento também estabelecia que o influenciador não teria obrigação de realizar apuração própria ou checagem adicional e que os vídeos deveriam se limitar a "comentário informativo em tom neutro, sem ataques, ofensas, imputações ou narrativa de defesa institucional". Ao final do contrato, com desconto de comissão de 20% para a agência, o valor total poderia chegar a R$ 188 mil.

Denúncias de vereador de SP

Na terça-feira (6), a colunista Andréia Sadi publicou o relato do vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, no Rio Grande do Sul. Ele divulgou em suas redes sociais um contrato preliminar firmado com uma agência de marketing digital após ser procurado, também em dezembro, para criticar decisões do Banco Central e defender o Banco Master.

Nesta sexta-feira (9), Rony Gabriel afirmou, em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, que ouviu durante as negociações que o contratante da campanha seria Daniel Vorcaro. Segundo o vereador, ele recusou a proposta.

Cláusula de confidencialidade

No caso do vereador, o contrato preliminar mencionava um "Projeto DV", referência às iniciais de Daniel Vorcaro. O documento previa cláusula de confidencialidade com multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento e foi assinado com André Salvador, representante da empresa UNLTD.

Rony Gabriel, que tem 1,7 milhão de seguidores no Instagram, afirmou que recusou o trabalho após identificar o objetivo da campanha. Segundo ele, o cachê oferecido era "de milhões, no plural". O vereador disse ainda que a multa prevista não foi cobrada até o momento.

Mensagens de WhatsApp obtidas pela reportagem do G1 mostram que o contato inicial ocorreu em 20 de dezembro, por meio de um assessor. Após a assinatura do contrato de confidencialidade, houve uma reunião virtual em 28 de dezembro de 2025 para discutir o formato dos conteúdos.

Outros relatos

Outra influenciadora, Julie Milk, afirmou ter sido abordada com proposta semelhante. Ela relatou que o contato ocorreu em 21 de dezembro e que a oferta previa contrato mínimo de três meses, com oito vídeos mensais. Julie disse que recusou a proposta ao ser informada de que se tratava da divulgação de matérias de cunho político e financeiro.

Júnior Favoreto afirmou que a Group BR foi acionada por outra agência para buscar influenciadores, mas disse que nenhum contrato foi fechado. A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos. O Banco Master informou que ainda não tem posicionamento sobre o caso.

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