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Defesa de Vorcaro nega contratação de influenciadores para atacar BC

Advogados afirmam que dono do Banco Master não participou de campanhas de difamação e pedem investigação sobre crimes contra a honra

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

247 - A defesa do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer participação na contratação de influenciadores digitais para atacar o Banco Central (BC) nas redes sociais. Em petição encaminhada ao ministro Dias Toffoli, relator do caso, os advogados sustentam que o banqueiro não teve envolvimento nem conhecimento de ações voltadas à disseminação de desinformação contra o órgão regulador.

No documento apresentado ao STF, os defensores afirmam que Vorcaro “nega veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre qualquer prática de difamação ou disseminação de fake news em face do Banco Central”. A manifestação faz referência a reportagem da colunista Malu Gaspar, publicada pelo jornal O Globo, que revelou a existência de contratos com influenciadores para questionar o processo de liquidação do Banco Master.

Segundo a apuração divulgada, os acordos teriam sido estruturados para levantar suspeitas sobre a atuação do Banco Central no processo de intervenção e liquidação da instituição financeira. Os contratos, identificados internamente como “projeto DV”, chegariam ao valor de até R$ 2 milhões e incluíam cláusulas rígidas de confidencialidade, com o objetivo de preservar a aparência de um movimento espontâneo nas redes sociais contra o órgão regulador.

A reportagem mencionada aponta que há registros documentais, como trocas de mensagens, comprovantes de depósitos bancários e outros materiais que indicariam a existência das negociações. Em um dos casos citados, um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores teria recebido a proposta de R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com a obrigação de realizar oito postagens mensais. Em outro, um perfil com menos de 500 mil seguidores teria sido sondado para um contrato de R$ 250 mil, pelo mesmo período e com igual número de publicações.

Apesar das revelações, a defesa de Vorcaro sustenta que o empresário não pode ser responsabilizado pelos fatos narrados. Além de negar as acusações, os advogados solicitaram ao Supremo a abertura de um inquérito para apurar possíveis “crimes contra a honra” relacionados ao caso envolvendo o Banco Master.

Paralelamente, a defesa também pediu, ainda em dezembro, que o STF avalie a realização de um processo de conciliação. A proposta envolve o Banco Master, o Banco Central, o Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Fictor Holding, empresa que tentou adquirir a instituição financeira. O objetivo é discutir os termos da liquidação do banco, determinada pelo Banco Central em novembro, e buscar uma solução institucional para o impasse.

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