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Relator do caso Master no TCU continuou filiado a partido do centrão mesmo após assumir cadeira na Corte

Desfiliação de Jhonatan de Jesus do Republicanos só foi formalizada em 2026

Jhonatan de Jesus (Foto: MyKe Sena/Câmara dos Deputados)

247 - O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus permaneceu com registro ativo de filiação partidária ao Republicanos por quase três anos após assumir uma cadeira na Corte. A situação contraria normas constitucionais e regimentais que proíbem ministros do TCU de manter vínculos político-partidários durante o exercício do cargo. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, embora o ministro tenha solicitado sua desfiliação em março de 2023, antes de tomar posse, a comunicação à Justiça Eleitoral só ocorreu em janeiro de 2026.

Desfiliação incompleta e divergência de registros

De acordo com a reportagem, Jhonatan de Jesus pediu desligamento do Republicanos ao diretório partidário em março de 2023. No entanto, a etapa obrigatória de comunicação ao juiz eleitoral não foi cumprida à época. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legislação exige que ambas as notificações ocorram para que a desfiliação seja oficialmente reconhecida.

Uma Certidão de Filiação Partidária emitida em 7 de janeiro de 2026 ainda apontava o ministro como filiado ao Republicanos desde 2009, com desfiliação pendente. Apenas no dia seguinte, após questionamentos sobre o caso, um novo documento passou a registrar oficialmente a saída da legenda.

Regras constitucionais para ministros do TCU

A Constituição Federal equipara os ministros do TCU aos magistrados no que diz respeito a deveres e vedações, proibindo expressamente o exercício de qualquer atividade político-partidária. O regimento interno da Corte repete essa restrição, reforçando a exigência de independência institucional.

O TCU informou que Jhonatan de Jesus não possui filiação partidária e apresentou registros do Sistema de Filiação Partidária (Filia), que indicam o pedido de desfiliação feito em março de 2023. O Republicanos encaminhou o mesmo registro e afirmou que o ministro não exerce atividades políticas na legenda. Em nota, o partido declarou que “o ministro não exerce nenhuma atividade político-partidária na legenda, não participa de instâncias partidárias e não ocupa função partidária”.

Atuação no caso Banco Master e questionamentos

Jhonatan de Jesus é relator do processo que questiona a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master. Ao assumir o caso, chegou a determinar uma inspeção no órgão regulador com “máxima urgência”, decisão da qual recuou posteriormente, em meio a pressões. A condução do processo levantou debates sobre os limites de atuação do TCU.

O Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, são investigados por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro. O banqueiro, que mantém relações políticas em Brasília, chegou a ser preso durante as apurações.

Relações políticas e episódios anteriores

Antes de chegar ao TCU em 2023, Jhonatan de Jesus exerceu quatro mandatos como deputado federal e foi indicado à Corte com apoio do então presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL). Reportagens também mostraram que o ministro manteve intensa interlocução com políticos do Centrão e lideranças de Roraima.

Em agosto do ano passado, o jornal O Estado de São Paulo revelou que o deputado federal Gabriel Mota (Republicanos-RR) empregou a esposa do ministro, Thallys de Jesus, em seu gabinete na Câmara. Ela foi exonerada após a publicação da reportagem e a procura do ministro para esclarecimentos.

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