HOME > Brasil

Caso Master inviabiliza clã Bolsonaro, diz Miola

Comentarista afirmou que o caso Master enfraquece o bolsonarismo e cria nova correlação de forças

Caso Master inviabiliza clã Bolsonaro, diz Miola (Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O caso Master expõe o elo de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e abala o bloco anti-Lula, afirmou Jeferson Miola durante participação no Giro das Onze, da TV 247, nesta quinta-feira (14). Para o comentarista, as revelações sobre a proximidade entre o senador e o banqueiro representam “uma bomba atômica” na extrema direita e têm potencial para alterar a disputa presidencial de 2026.

Miola avaliou que o episódio “não abala a República”, mas produz “um abalo sísmico no campo da extrema direita e da direita nacional”. Segundo ele, mais do que atingir apenas a candidatura de Flávio Bolsonaro, a crise compromete a capacidade do campo opositor de se apresentar de forma competitiva na eleição contra o presidente Lula.

“Eu tenho para mim que, mais do que atingir a candidatura do Flávio Bolsonaro, o episódio de ontem abala a capacidade que o campo opositor tem de se apresentar de maneira competitiva na eleição”, disse Miola.

Crise atinge estratégia de Flávio Bolsonaro

Miola afirmou que a divulgação do áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro derruba a tentativa de afastar a família Bolsonaro do escândalo envolvendo o Banco Master. Para ele, a intimidade revelada nas mensagens torna mais difícil sustentar a narrativa de distanciamento.

“Esta intimidade revelada entre o Flávio Bolsonaro e o Vorcaro põe por terra a tentativa deles se afastarem do escândalo”, afirmou.

O comentarista também disse que o caso ganhou uma dimensão familiar e política. Segundo Miola, a expressão “Bolsomaster” passou a ter concretude após a revelação dos diálogos.

“O Bolsomaster ganhou forma concreta ontem. Então assim, é um negócio da família”, declarou.

Na avaliação de Miola, a situação enfraquece não apenas Flávio, mas o próprio uso do sobrenome Bolsonaro como ativo eleitoral. Ele afirmou que a candidatura do senador foi pensada como forma de preservar a fidelidade absoluta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que o escândalo torna esse cálculo mais arriscado.

“O nome, o sobrenome Bolsonaro, que era o requisito pensado pelo Jair, que garantisse uma fidelidade absoluta, ele se inviabiliza nesse cenário”, disse.

Miola vê candidatura de Flávio como “zumbi eleitoral”

Durante o programa, Miola afirmou que Flávio Bolsonaro até pode insistir na candidatura, mas avaliou que ela ficaria politicamente comprometida. Para ele, a crise aberta pelo caso Master tira viabilidade do senador e cria dificuldades para qualquer alternativa dependente do bolsonarismo.

“Se o Flávio até pode continuar a candidatura, vai ser um zumbi eleitoral, não tem viabilidade”, afirmou.

Miola também ponderou que a substituição por Michelle Bolsonaro não resolveria automaticamente o problema. Segundo ele, ela também carrega o sobrenome Bolsonaro e estaria exposta ao desgaste provocado pelo escândalo.

“A Michele Bolsonaro, muito se diz que ela consegue se aproveitar muito da questão evangélica e feminina, mas ela é Bolsonaro”, afirmou.

Para o comentarista, o problema central é que a direita tradicional perdeu espaço para a extrema direita desde 2018, enquanto o bolsonarismo se tornou o principal motor de mobilização de massas no campo opositor. Com esse motor abalado, disse Miola, a construção de uma alternativa anti-Lula fica mais difícil.

“Qualquer alternativa política hoje no Brasil é dependente do apoio bolsonarista”, afirmou. “O motor principal deste bloco anti-Lula, que é o bolsonarismo, foi profundamente avariado.”

Disputa de 2026 pode mudar de qualidade

Miola afirmou que o caso Master pode produzir uma mudança qualitativa no cenário eleitoral de 2026. Ele disse, no entanto, que não se trata de considerar a eleição resolvida, mas de reconhecer que a oposição sofreu um golpe político relevante.

“Eu vejo que tem uma mudança de qualidade no processo eleitoral deste ano, em que há uma perda de força da capacidade de oposição de apresentar uma alternativa”, afirmou.

O comentarista também alertou que o bolsonarismo não desaparece automaticamente em razão do escândalo. Segundo ele, a extrema direita mantém influência social, base de massas e capacidade de produzir narrativas paralelas.

“Cuidado que o abalo ao bolsonarismo não vai significar a morte do bolsonarismo, porque eles continuam acreditando nisso”, disse Miola, ao comentar a reação da base bolsonarista.

Governo Lula deve acelerar, diz Miola

Ao tratar da postura do governo diante da crise, Miola defendeu que Lula mantenha autonomia para a Polícia Federal investigar o caso com rigor técnico e republicano. Ao mesmo tempo, afirmou que o governo deve aproveitar o novo momento político para avançar em sua agenda.

“Do ponto de vista do escândalo, ele tem que manter a exigência para que a Polícia Federal atue tecnicamente, com absoluto rigor, de maneira legal e republicana”, disse.

Miola também defendeu que o governo “pise no acelerador” e não recue diante da fragilidade do campo opositor. Para ele, a conjuntura abre uma oportunidade política que não deve ser desperdiçada.

“O governo tem que ir para cima. Não é hora de recuar e se acomodar. Nós estamos a seis meses da eleição. O governo tem que pisar fundo no acelerador”, afirmou.

Crise com Alcolumbre entra no cálculo político

Miola também relacionou o caso Master à crise entre o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo ele, Alcolumbre teria apostado em uma correlação de forças favorável à extrema direita e à candidatura de Flávio Bolsonaro.

“O Alcolumbre fez uma aliança com a extrema direita. Ele apostava numa potencial vitória do Flávio Bolsonaro em outubro”, afirmou.

Na avaliação do comentarista, a nova conjuntura altera a relação de poder entre o Planalto e o Congresso. Miola afirmou que o governo deve aproveitar o momento para retomar iniciativa política, inclusive no debate sobre a indicação ao Supremo Tribunal Federal.

“A relação de poder agora, político e simbólico, e no debate público, ela é amplamente favorável ao governo”, disse.

Artigos Relacionados