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Celular de Vorcaro, do Master, pode "resetar" a República, dizem investigadores

Investigadores veem situação “insustentável” para permanência de Toffoli no caso e alertam para impacto institucional das apurações no STF

Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

247 - O avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal tornou “insustentável” a permanência do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria no caso master. Integrantes da apuração alertam que o material reunido até o momento tem potencial para, nas palavras deles, “resetar” a República. As informações são da jornalista Andréia Sadi, do G1.

Nesta quarta-feira (11), a Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o relatório da perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master, investigado por fraudes financeiras bilionárias.

O aparelho continha menções ao ministro Dias Toffoli. Ao entregar o relatório, a PF citou um artigo da Lei Orgânica da Magistratura que trata de hipóteses envolvendo indícios de crimes atribuídos a magistrados. A corporação apura se houve pagamentos a Toffoli relacionados a Vorcaro e ao banco Master.

Apesar da gravidade das informações, a Polícia Federal não solicitou que Toffoli se declarasse suspeito para conduzir o processo. Mesmo assim, cresceu nos bastidores do Supremo a pressão para que o ministro deixe a relatoria do caso. Há uma ala da Corte que, desde o ano passado, defendia seu afastamento da investigação.

A preocupação interna no tribunal estaria relacionada ao risco de que o avanço das apurações atinja diretamente a imagem institucional do STF, levando a Corte ao centro de uma crise de grandes proporções.

O celular de Daniel Vorcaro foi apreendido em novembro, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, Dias Toffoli afirmou ser alvo de “ilações”. Já a defesa de Vorcaro criticou o que classificou como “vazamento seletivo de informações” com o objetivo de “gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa”.

Fontes que acompanham o caso afirmam que há expectativa de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os elementos levantados pela Polícia Federal em relação ao ministro, sustentando que não haveria irregularidades nas informações reunidas até o momento.

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