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Fachin já tem em mãos relatório com menções a Toffoli em investigação sobre o Banco Master

Dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro foram apresentados pela PF ao presidente do STF e podem ampliar pressão sobre relatoria do caso

Fachin já tem em mãos relatório com menções a Toffoli em investigação sobre o Banco Master (Foto: Victor Piemonte/STF)

247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, já recebeu da Polícia Federal (PF) um relatório com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, que incluem menções ao ministro Dias Toffoli, relator do caso na Corte. A informação confirmada pelo jornal Valor Econômico.

De acordo com a reportagem, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentou pessoalmente a Fachin os elementos colhidos no aparelho de Vorcaro. O conteúdo pode suscitar um pedido de suspeição de Toffoli e eventualmente afastá-lo da condução do processo envolvendo o Banco Master.

Toffoli afirma que responderá a Fachin

Por meio de nota, o gabinete do ministro Dias Toffoli informou que o magistrado tratará do assunto diretamente com o presidente do STF. A nota também rebate a informação de que a Polícia Federal teria pedido sua suspeição no caso.

“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, declarou o gabinete.

Integrantes da Polícia Federal ouvidos pelo Valor negaram que tenham formalizado pedido de suspeição contra o ministro.

Defesa de Vorcaro critica vazamento seletivo

A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou após a divulgação das informações. Em nota, os advogados expressaram “preocupação com o vazamento seletivo de informações”.

Segundo a defesa, a prática gera constrangimentos indevidos e compromete o direito de defesa. “O respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a correta apuração dos fatos”, afirmaram os advogados.

Desconforto institucional e decisões controversas

A atuação de Toffoli no caso já vinha provocando desconforto entre autoridades envolvidas direta ou indiretamente na apuração, conforme noticiado anteriormente pelo Valor. Técnicos do Banco Central (BC), integrantes da PF, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e até ministros do próprio Supremo teriam demonstrado incômodo com decisões tomadas ao longo do processo.

O desconforto teve início quando o ministro determinou sigilo sobre toda a investigação envolvendo o Banco Master, ainda em dezembro. A situação se agravou em 2025, quando Toffoli convocou uma acareação entre Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa — ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) — e Ailton Aquino, diretor do Banco Central que não é formalmente investigado no caso.

Na ocasião, também houve estranhamento quanto às perguntas formuladas pelo gabinete do ministro durante os depoimentos.


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