Ciro Nogueira recebeu transferência internacional de condomínio nos EUA onde Vorcaro tinha cobertura
Relatório do Coaf aponta remessa internacional e quitação de faturas de cartão de crédito por aliados políticos
247 - Uma transferência internacional recebida pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em junho de 2024 aparece em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento aponta que cerca de R$ 25,8 mil foram enviados por um condomínio residencial em Miami Beach, nos Estados Unidos, onde o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, era proprietário de uma cobertura avaliada em cerca de R$ 180 milhões.
Segundo o G1, a informação consta em comunicações de instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal. A operação foi classificada como “doação ou transferência sem contrapartida”, sem justificativa sobre a origem dos recursos. O material também aponta que aliados políticos pagaram faturas do cartão de crédito do parlamentar.
Transferência internacional e alerta da Caixa
Além da remessa vinda dos Estados Unidos, o relatório indica movimentações consideradas atípicas na conta do senador entre janeiro e junho de 2024. A Caixa apontou operações incompatíveis com o perfil financeiro declarado, além de indícios de mecanismos que poderiam dificultar a identificação da origem e do destino dos valores.
O documento também menciona transferências frequentes envolvendo pessoas politicamente expostas sem justificativa econômica clara.
Pagamentos feitos por deputados do PP
O relatório ainda registra pagamentos de faturas de cartão de crédito de Ciro Nogueira realizados por deputados do Progressistas (PP) no Piauí, aliados políticos do senador.
No dia 4 de junho de 2024, o deputado Átila Lira (PP-PI) teria quitado um boleto de R$ 3.457 referente a um cartão do Banco de Brasília (BRB). O parlamentar negou a operação. “Essa informação não é verdadeira. Nunca houve pagamento por minha parte de fatura de cartão de crédito de ninguém. Nem a da minha esposa”, afirmou.
Já em 19 de junho, uma fatura de R$ 13.693,54 foi paga pelo deputado Júlio Arcoverde (PP-PI), presidente estadual da legenda. Ao comentar o caso, ele indicou que o pagamento pode estar ligado a despesas pessoais. “Tem que saber dele. Se ele consegue resgatar isso daí. Às vezes ele viaja e eu peço algum remédio, alguma coisa, e aí ele passa o cartão para eu fazer o pagamento”, declarou.
Outras movimentações e contexto legal
Ainda no mesmo mês, o próprio senador quitou uma fatura de R$ 120.839,96 junto ao BRB, banco citado em investigações relacionadas ao chamado caso Master.
O relatório também destaca que os envolvidos são classificados como pessoas politicamente expostas (PEPs). Entre os pontos citados está o fato de o filho de Júlio Arcoverde atuar no gabinete de Ciro Nogueira desde 2020.
Embora a legislação brasileira permita o pagamento de dívidas por terceiros, a prática pode ser questionada caso seja utilizada para ocultar a origem dos recursos. Normas como a Lei de Lavagem de Dinheiro e a Lei de Improbidade Administrativa preveem sanções em situações desse tipo.
Procurado, o senador Ciro Nogueira classificou os questionamentos como “absurdo” e afirmou que não pretende comentar o assunto.
A quebra do sigilo telemático de Vorcaro também apontou a relação indireta com o Ciro Nogueira. Em agosto de 2024, ele comentou com a companheira sobre a atuação do senador no Congresso ao citar uma proposta que ampliava o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), durante um evento realizado no autódromo de Interlagos, em São Paulo.


