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Ciro Nogueira recua de ataques a Lula e articula aproximação com o PT

Senador e presidente do PP reduz críticas ao governo e participa de conversas sobre alianças regionais

Ciro Nogueira e Lula (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - O senador Ciro Nogueira (PP-PI) interrompeu a ofensiva digital contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e passou a adotar um tom mais cauteloso em relação ao governo federal, num movimento interpretado como tentativa de reaproximação política com vistas às eleições de outubro. Após ter feito mais de 90 publicações críticas ao Planalto ao longo de 2025, o presidente do PP deixou de atacar publicamente o presidente e iniciou conversas com dirigentes do PT sobre possíveis composições regionais, segundo o jornal O Globo.

Um dos sinais mais claros dessa mudança foi uma reunião realizada em janeiro entre Ciro Nogueira, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva. O encontro teve como foco cenários eleitorais estaduais e alternativas de alianças locais, em um contexto de aproximação entre partidos do Centrão e a legenda de Lula. Do ponto de vista do Planalto, a estratégia busca ao menos garantir a neutralidade dessas siglas na disputa nacional, afastando-as do palanque de Flávio Bolsonaro (PL), principal pré-candidato da direita.

Até novembro do ano passado, Ciro Nogueira havia feito ao menos 94 postagens com críticas diretas ou indiretas a integrantes do PT e ao governo. A última manifestação desse tipo ocorreu em 18 de novembro, quando o senador afirmou que “a conta do governo estava no vermelho”. Desde então, cessaram os ataques, movimento associado a um “pacto de não agressão” entre Ciro e Lula.

Apesar da trégua pública, Ciro mantém fixado em seu perfil um vídeo em que acusa o governo de ter “acionado o gabinete de ódio” contra ele, após investigações da Polícia Federal sobre um esquema de fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. No mesmo período, a PF avançou em apurações relacionadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, apontado como amigo do senador.

PP e União Brasil, que juntos somam 108 deputados e 13 senadores, negociam a formação de uma federação partidária, ainda pendente de formalização pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O bloco tem sido alvo tanto de articulações de aliados de Lula quanto de Flávio Bolsonaro. A tendência predominante, segundo interlocutores, é de neutralidade no plano nacional, com liberdade para alianças regionais.

Nesse contexto, a conversa com Edinho Silva se concentrou em estados onde o PT mantém forte capacidade de articulação, como Pernambuco, Ceará e Maranhão, considerados estratégicos no Nordeste. Procurados, Edinho, Ciro e Rueda não responderam. Aliados do presidente do PP minimizam o peso do encontro, afirmando que ele e o dirigente petista mantêm relação pessoal antiga e conversas frequentes.

A movimentação de Ciro Nogueira é observada com cautela no meio político, já que o senador foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) e segue como figura central da articulação da centro-direita no Congresso. Segundo lideranças da federação, a definição sobre apoio nacional deve ser adiada até mais perto das convenções partidárias, quando o cenário eleitoral estará mais claro.

O encontro com Edinho também é visto como parte de um processo de distensão após o rompimento formal do PP e do União Brasil com o governo no ano passado. Desde então, tanto Ciro quanto Rueda reduziram o tom de confronto público com o Planalto, em uma tentativa de recompor pontes políticas.

No caso do União Brasil, a estratégia de diálogo inclui negociações no Ceará. Um jantar recente em Brasília reuniu o ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB), Ciro Nogueira, Antonio Rueda e lideranças locais para discutir um possível apoio da federação à candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. Segundo um aliado de Rueda, não houve definição, já que o PT sinalizou a possibilidade de oferecer espaço ao União Brasil na chapa do atual governador Elmano de Freitas, em uma tentativa de atrair a federação.

Dirigentes petistas avaliam que essa rodada de conversas integra um esforço mais amplo para evitar isolamento em colégios eleitorais estratégicos e reduzir a adesão antecipada de partidos de centro ao campo bolsonarista. A orientação interna do PT é manter a interlocução aberta, com a expectativa de que encontros desse tipo se tornem mais frequentes à medida que o calendário eleitoral avance.

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