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Com Filipe Martins, tentativa de golpe já tem 23 condenados presos

Com prisão preventiva de Filipe Martins, Supremo consolida número de detidos entre os réus condenados pela trama golpista

Com Filipe Martins, tentativa de golpe já tem 23 condenados presos (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil)

247 - A tentativa de golpe de Estado articulada após as eleições de 2022 já resultou em 23 condenados presos, segundo decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). O número foi alcançado após a decretação da prisão preventiva de Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência da República, que descumpriu medidas cautelares impostas pela Corte.

O levantamento foi divulgado pelo jornal O Globo. Ao todo, 29 pessoas foram condenadas, embora parte das ações penais ainda não tenha transitado em julgado.

Com a nova decisão, 15 condenados cumprem pena em regime fechado, enquanto outros oito permanecem em prisão domiciliar. Filipe Martins estava em regime domiciliar desde o último sábado (27), mas teve a prisão preventiva decretada por ordem do ministro Alexandre de Moraes após acessar redes sociais, o que violou as restrições determinadas pelo Supremo.

A Primeira Turma do STF concluiu no dia 16 de dezembro o julgamento do chamado “núcleo estratégico”, encerrando a análise dos quatro grupos envolvidos na tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de manter Jair Bolsonaro (PL) no cargo após o resultado das urnas.

Filipe Martins foi condenado a 21 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. De acordo com o entendimento dos ministros, ele foi responsável pela elaboração de uma minuta de decreto que previa medidas excepcionais para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022. O documento teria sido apresentado pelo então presidente Jair Bolsonaro aos comandantes das Forças Armadas. A defesa do ex-assessor ainda recorre da condenação.

Situação dos condenados por núcleo

Núcleo 1

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República – preso
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa – preso
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha – preso
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública – preso
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional – prisão domiciliar
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa – preso
  • Alexandre Ramagem, deputado e ex-diretor da Abin – foragido
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do presidente – regime aberto

Núcleo 2

  • Filipe Garcia Martins Pereira, ex-assessor internacional da Presidência – preso
  • Marcelo Costa Câmara, coronel da reserva do Exército e ex-assessor da Presidência – preso
  • Mário Fernandes, general da reserva do Exército – preso
  • Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal – preso
  • Marília Alencar, delegada da Polícia Federal e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça – prisão domiciliar

Núcleo 3

  • Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército – prisão domiciliar
  • Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército – prisão domiciliar
  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército – preso
  • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel do Exército – preso
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel do Exército – preso
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel do Exército – prisão domiciliar
  • Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal – preso
  • Márcio Nunes de Resende Jr., coronel do Exército
  • Ronald Ferreira de Araújo Jr., tenente-coronel do Exército

Núcleo 4

  • Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército – prisão domiciliar
  • Reginaldo Abreu, coronel do Exército
  • Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército – preso
  • Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal – preso
  • Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército – prisão domiciliar
  • Ailton Moraes Barro, ex-major do Exército – prisão domiciliar
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal – foragido

Com o encerramento dos julgamentos, o Supremo consolidou o entendimento de que houve uma atuação coordenada, envolvendo autoridades civis, militares e policiais, para tentar romper a ordem democrática e anular o resultado das eleições presidenciais de 2022.

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