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Conversas no celular de Vorcaro confirmam negociação para contratar agência de influenciadores

Investigação aponta diálogo envolvendo agência Spark para promover imagem do Banco Master em meio a questionamentos sobre sua solidez

Conversas no celular de Vorcaro confirmam negociação para contratar agência de influenciadores (Foto: Banco Master/Divulgação)

247 - A Polícia Federal identificou, a partir da análise do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, conversas que indicam a negociação para contratar uma agência de influenciadores digitais com o objetivo de impulsionar conteúdos favoráveis ao Banco Master, em um momento em que a instituição enfrentava suspeitas sobre sua saúde financeira.

Segundo revelou o jornal O Estado de São Paulo, que teve acesso exclusivo a trechos do material extraído do aparelho, as tratativas envolveram a agência Spark, especializada em marketing de influência. O caso amplia o escopo das investigações que apuram o uso de influenciadores para influenciar a opinião pública em torno do banco.

De acordo com a apuração, esta é a segunda agência citada em negociações desse tipo. A Polícia Federal já conduz um inquérito para verificar se Vorcaro e aliados teriam contratado influenciadores para atacar autoridades do Banco Central no fim de 2025, após a prisão do banqueiro, com o objetivo de criar um ambiente favorável à reversão da liquidação do Banco Master.

As investigações também incluem a atuação da agência Mithi, ligada ao empresário Thiago Miranda, e apontam um padrão de comportamento semelhante ao observado antes da intervenção na instituição financeira.

Preso desde 4 de março, Vorcaro negocia atualmente um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Diálogo revela proposta de campanha

Os registros encontrados no celular do banqueiro incluem imagens de conversas via WhatsApp, datadas do final de 2024, com uma diretora da agência Spark. No conteúdo, são apresentados detalhes de uma proposta para contratação de influenciadores.

Entre as informações compartilhadas, consta: “Segmento: Instituição bancária / investimentos/ Banco Master. Rede: IG. Escopo: Reels + combo de stories + direito de repost do conteúdo”.

A proposta previa a participação do influenciador Renoir Vieira, conhecido por produzir conteúdo sobre mercado financeiro. Em abril de 2025, ele publicou um vídeo defendendo a aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), afirmando: “Não tem motivos para o BC não aprovar essa transação. Essa transação é positiva, melhora o risco de crédito para quem é investidor do Master”.

Influenciador nega vínculo comercial

Procurado, Renoir Vieira confirmou ter recebido uma proposta da agência Spark em outubro de 2024, mas afirmou que recusou a oferta. “Eu não fiz nenhuma publicação paga ou não paga nessa ocasião. Também não fiz nenhuma publicação [patrocinada] para nenhuma instituição financeira no Brasil ou no exterior”, declarou.

O influenciador também sustentou que sua manifestação sobre o Banco Master refletiu apenas sua análise pessoal do cenário financeiro. “Eu dou minha opinião sobre o mercado financeiro, boa ou ruim, e pode estar certo ou errado. Se você olhar no meu perfil, devo ter falado nos últimos anos, meu trabalho é esse, comentar o mercado financeiro, positivo ou negativo, eu dou a minha opinião, não sou influenciado por nenhum pagamento”, disse.

Agência afirma que recusou proposta

Em nota, a agência Spark confirmou que foi procurada para elaborar uma campanha, mas afirmou que decidiu não prosseguir com o projeto por questões éticas.

“Em outubro de 2024, período em que o escândalo envolvendo o Banco Master ainda não havia sido exposto publicamente, a agência recebeu uma solicitação para orçar uma campanha de marketing de influência visando promover um produto de investimento da instituição. Ao tomar conhecimento do teor do projeto, de endossar a solidez do produto aos investidores a partir de perfis com autoridade no assunto, a alta direção da Spark cancelou as solicitações de orçamento com influenciadores imediatamente e declinou o projeto, por entender que dar seguimento ao trabalho seria eticamente incompatível com os critérios que orientam sua atuação há 11 anos no mercado. Nenhum contrato foi firmado com influenciadores”, informou.

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