CPI do Banco Master é "ilegal" e Alessandro Vieira é "hipócrita", diz Flávio Bolsonaro
Senador afirma que investigação proposta no Senado não pode apurar crimes comuns e critica autor da proposta
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso envolvendo o Banco Master seria ilegal.
A Iniciativa da CPI foi apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e tem como objetivo apurar eventuais condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli relacionadas ao escândalo envolvendo o banco .A declaração, segundo o jornal O Estado de São Paulo, foi feita nesta quarta-feira (11), durante entrevista concedida ao SBT News.
Flávio Bolsonaro critica proposta de CPI
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que o formato da comissão não respeita os limites legais para esse tipo de investigação parlamentar. "Eu assinei, mas, com toda franqueza, o autor dela, o senador Alessandro Vieira, é um grande hipócrita. Ele faz esse tipo de pedido de CPI sabendo que não vai ser instaurada porque ela é ilegal. Você não pode instaurar uma CPI para investigar crimes comuns de pessoas. Então, ele faz para tirar uma onda”, declarou o senador.
O requerimento para abertura da CPI foi protocolado na segunda-feira (9) e reuniu 35 assinaturas — oito acima do mínimo exigido para a criação da comissão no Senado. Flávio Bolsonaro foi o 29º parlamentar a aderir ao documento.
Acusações contra Alessandro Vieira
A demora na assinatura do senador gerou críticas nas redes sociais, onde eleitores questionaram se haveria algum vínculo entre o parlamentar e os ministros citados na proposta de investigação.
Flávio Bolsonaro negou qualquer relação com o atraso e acusou Alessandro Vieira de acelerar deliberadamente a coleta de assinaturas para constrangê-lo publicamente. “Ele correu com as assinaturas exatamente para dizer que eu não assinei, porque eu tenho algum rabo preso, o que é mentira. E ele sabe disso”, afirmou.
O senador também criticou o colega por, segundo ele, utilizar comissões parlamentares como instrumento político. Na avaliação de Flávio, Vieira teria transformado a CPI do Crime Organizado em um espaço de disputa eleitoral ao convocar ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro. “Senadores como Alessandro Vieira descredibilizam o que ainda resta de credibilidade do instituto das CPIs”, declarou.
Caso Banco Master e ministros do STF
Apesar das críticas ao formato da comissão, Flávio Bolsonaro assinou o requerimento e sugeriu ampliar o escopo da investigação. O senador defendeu que também sejam convocados o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o empresário Augusto Lima.
Segundo o parlamentar, todos teriam participado de reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro. “Por que o Alessandro Vieira esqueceu de chamar essa galera? Só porque ele é base do governo Lula?”, questionou.
A proposta de CPI surgiu após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, que indicariam contatos entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes sobre negociações envolvendo a venda do Banco Master. Para preservar o sigilo das conversas, Vorcaro e Moraes teriam utilizado o recurso de visualização única nas mensagens, o que impediu o acesso às respostas do ministro.
Reportagens publicadas pela mídia também apontaram transações envolvendo um empreendimento imobiliário ligado a familiares do ministro Dias Toffoli com fundos associados ao banco.
Defesa de impeachment de ministros do STF
Mesmo classificando a CPI como ilegal em seu formato atual, Flávio Bolsonaro afirmou ser favorável à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo que descumpram a Lei de Responsabilidade. “Já assinei vários, vou assinar quantos forem necessários”, disse o senador, referindo-se a pedidos baseados na Lei 1.079.


