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CPI quebra sigilo de fundo que comprou participação de resort associado à família Toffoli no PR

Parlamentares buscam acesso indireto a dados após veto do STF

Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, envolvido na compra da participação da empresa ligada à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. A medida representa uma tentativa dos parlamentares de avançar nas investigações diante de limitações impostas por decisões judiciais.

De acordo com o jornal O Globo, a iniciativa busca contornar despacho do ministro do STF Gilmar Mendes que suspendeu a quebra de sigilo da empresa Maridt, que tem Toffoli como um dos sócios. Com isso, a CPI tenta obter dados financeiros de forma indireta por meio do fundo que adquiriu a participação societária.

Investigação mira estrutura financeira ligada ao negócio

O requerimento, apresentado pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), estabelece que as quebras de sigilo abrangem o período entre 9 de fevereiro de 2021 e 29 de janeiro de 2026. Documentos da Junta Comercial do Paraná apontam que o Fundo Arleen passou a integrar o empreendimento em 27 de setembro de 2021, ao adquirir a fatia da Maridt por cerca de R$ 20 milhões.

O fundo Arleen tem como único cotista o Fundo Leal, ligado ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Na semana anterior, a CPI já havia aprovado a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Zettel, ampliando o alcance da apuração.

Movimentações financeiras sob suspeita

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), também citados pelo reportagem, indicam que Zettel movimentou R$ 99,2 milhões em sete meses, valor considerado incompatível com sua capacidade financeira. As transações ocorreram entre junho de 2021 e janeiro de 2022, período que coincide com a aquisição da participação da empresa de Toffoli no resort.

O levantamento aponta ainda que o empresário transferiu R$ 25,6 milhões ao Fundo Leal em onze repasses. Quatro dessas transferências ocorreram em 20 e 29 de julho de 2021, 20 de setembro de 2021 e 3 de novembro de 2021, datas próximas à entrada do fundo na sociedade do empreendimento.

Posicionamento de Toffoli e desdobramentos no STF

Em nota divulgada quando o caso se tornou público, Dias Toffoli afirmou que a Maridt vendeu sua participação no grupo Tayayá ao Fundo Arleen “a valor de mercado”. O ministro declarou também que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel” e confirmou que a operação ocorreu em setembro de 2021.

Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria de um processo envolvendo o Banco Master no STF após a divulgação de relatório da Polícia Federal que mencionava mensagens entre Vorcaro e Zettel sobre pagamentos à empresa do ministro. Após reunião entre os integrantes da Corte, o caso foi redistribuído e passou ao ministro André Mendonça.

CPI convoca ex-noiva de Vorcaro

A CPI também aprovou a convocação da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro. Ela entrou no radar das investigações a partir de mensagens e anotações apreendidas durante as apurações sobre o Banco Master e deverá prestar esclarecimentos sobre interlocuções relacionadas ao caso. O colegiado rejeitou, por outro lado, o pedido para ouvir o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

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