HOME > Brasil

"De novo os traidores da pátria em ação", afirma Boulos após tarifaço de Trump

Ministro destaca que medida proposta pelo governo Trump “não é contra o governo Lula. É contra as empresas e os trabalhadores brasileiros”

Flávio Bolsonaro, Donald Trump, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Guilherme Boulos (Foto: Reprodução/X/@BolsonaroSP | Lula Marques/Agência Brasil)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou nesta terça-feira (2), em vídeo publicado nas redes sociais, que a nova proposta de tarifa de 25% do governo Donald Trump contra importações do Brasil “não é contra o governo Lula. É contra as empresas e os trabalhadores brasileiros”.

A declaração de Boulos foi feita após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, propor a aplicação de uma tarifa de 25% sobre todas as importações brasileiras, conforme documento divulgado no final da noite desta segunda-feira (1º). A medida mira temas como comércio digital, etanol, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

No vídeo, Boulos relacionou a iniciativa do governo Trump à recente visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao lado de seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, à Casa Branca. “Não existe coincidência num caso desse. Há uma semana, Flávio Bolsonaro foi lá tirar fotinho na Casa Branca? O que acontece? Mais uma proposta de taxação, que não é contra o governo Lula. É contra as empresas brasileiras e os trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Segundo o ministro, a proposta tarifária teria como efeito pressionar empresas instaladas no Brasil a transferirem operações para os Estados Unidos. “Quando o Trump faz isso, ele quer fazer com que as empresas saiam do Brasil e vão para os Estados Unidos para não pagar taxa. Tirar emprego de brasileiro e botar emprego para americano”, disse.

Boulos também acusou Flávio Bolsonaro de atuar contra os interesses nacionais. “Quem foi conspirar para isso mais uma vez? O Flávio Bolsonaro. (...) Tinham feito isso no ano passado com o tarifaço. Lula trabalhou, trabalhou e conseguiu tirar. E agora de novo os traidores da pátria em ação, trabalhando contra o Brasil. Que vergonha dessa gente lambe-botas”, declarou.

O ministro ainda criticou a possibilidade de integrantes desse campo político disputarem a Presidência da República. “E ainda tem coragem de querer disputar a Presidência da República do Brasil. Vá disputar para ser vereador em Miami, deputado no Texas. Mas, enfim, surpresa não é. Essa mesma gente botou bandeira dos Estados Unidos na Avenida Paulista no 7 de Setembro, dia da independência. De certa forma, estão sendo coerentes com a traição à pátria”, afirmou.

A proposta do USTR prevê exceções para mercadorias classificadas como sujeitas às chamadas tarifas de segurança nacional. O governo Trump ainda realizará consultas públicas e audiências antes de adotar qualquer sanção definitiva contra o Brasil.

De acordo com o órgão norte-americano, políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, determinadas tarifas e desmatamento ilegal poderiam ser enquadradas nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. A ferramenta permite ao governo dos EUA investigar e retaliar práticas comerciais consideradas injustas.

Entre os produtos que ficariam fora das tarifas punitivas, segundo o documento, estão carne bovina, café, certas frutas e nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos.

Em nota, o USTR afirmou que “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.

Artigos Relacionados