Decisão de Toffoli ameaça provas da PF no caso Master
Ordem do STF impede acesso imediato a celulares e pode comprometer dados cruciais da investigação
247 - A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o lacre e o acautelamento de materiais apreendidos no âmbito do chamado caso Master acendeu um alerta entre investigadores da Polícia Federal (PF). A medida impede a extração e a análise imediata de dados de celulares recolhidos durante as diligências, o que, segundo especialistas e investigadores, pode levar à perda irreversível de provas relevantes.
A informação foi revelada em reportagem da coluna do jornalista Fábio Serapião, publicada no UOL. Conforme o texto, a determinação de Toffoli estabelece que todos os bens e materiais apreendidos sejam lacrados e mantidos diretamente na sede do STF, sem acesso prévio da PF para perícia técnica inicial.
Na decisão, Toffoli afirma: “Determino que todos os bens e materiais apreendidos por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferidas e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”. Com isso, a PF fica impedida de extrair e analisar dados de celulares apreendidos com Daniel Vorcaro, seu pai Henrique, o cunhado Fabiano Zettel e os investidores João Mansur, da gestora Reag, e Nelson Tanure.
Investigadores ouvidos pela reportagem explicam que a ausência de extração imediata pode comprometer o acesso aos dados devido aos sistemas avançados de segurança dos aparelhos mais modernos. Após algumas horas sem desbloqueio, os celulares entram em um estado conhecido pela sigla BFU (Before First Unlock), considerado o nível mais alto de proteção de dados.
Nesse modo, segundo os investigadores, o acesso às informações se torna extremamente difícil. Os dados permanecem criptografados e praticamente inacessíveis, o que inviabiliza a perícia. Por essa razão, a PF costuma realizar a extração de dados logo após a apreensão, quando o aparelho ainda está em modo AFU (After First Unlock), etapa em que as barreiras de segurança estão temporariamente reduzidas. É nesse momento que os investigadores conseguem copiar conversas, documentos e imagens para análise posterior.
Além de restringir o acesso aos materiais, o ministro Dias Toffoli também fez críticas à atuação da Polícia Federal. Ele afirmou que a corporação descumpriu o prazo estabelecido para o cumprimento dos mandados de busca expedidos por seu gabinete e determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresente esclarecimentos sobre o atraso.
O pedido inicial da PF havia sido apresentado ainda em outubro de 2025, na primeira instância. A decisão de Toffoli foi proferida em 8 de janeiro, com prazo de 24 horas contado a partir do dia 12 para o cumprimento das medidas. Mesmo assim, na terça-feira (13), a PF encaminhou novos pedidos ao ministro, incluindo uma solicitação de busca em um novo endereço ligado a Vorcaro e autorizações para busca pessoal em Nelson Tanure e Fabiano Zettel.
Na decisão, Toffoli registrou: “Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa”.
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o procedimento adotado tem como objetivo preservar a integridade do material apreendido. Segundo o comunicado, “o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes”.


