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Caso Master: PGR pediu investigações mais amplas

Mais cedo, PF fez busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro em nova operação sobre o caso do Banco Master

Paulo Gonet (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

247 - Ao autorizar, nesta quarta-feira (14), novas diligências no caso das supostas fraudes envolvendo o Banco Master, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou a manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. 

"O ilustre Procurador-Geral da República manifestou-se
favoravelmente à diligência, pois 'evidente, portanto, que a diligência de busca e apreensão realizada no âmbito da Operação Compliance Zero no endereço sob análise não abrangeu o contexto mais amplo que a apuração em espécie busca examinar, tornando-se, assim, necessário, útil e pertinente que o
investigado seja alvo de busca e apreensão em referido endereço, para colheita de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados que tragam para os autos em definitivo as demais circunstâncias delituosas, a identificação de outros agentes e a
delimitação de suas condutas. O pedido de reconsideração da autoridade policial, portanto, compreende acolhimento'", diz o despacho de Toffoli. 

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quarta-feira mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao empresário Nelson Tanure em nova fase da operação sobre fraudes no Banco Master, segundo decisão de Toffoli. 

A operação também estabeleceu medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, de acordo com um comunicado da PF.

Conforme a decisão divulgada pelo STF e fontes da PF com conhecimento do caso, consultadas pela agência Reuters, parentes de Vorcaro e o sócio-fundador da Reag, João Carlos Mansur, também estão entre os alvos da operação.

Por ordem de Toffoli, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi preso temporariamente com o fim de resguardar o sigilo da operação deflagrada nesta quarta, segundo uma das fontes, mas deve ser solto em breve.

Na segunda fase da Operação Compliance Zero, as autoridades apuram prática de crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.

Preso em novembro pela PF, enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular, no Aeroporto de Guarulhos PF, Daniel Vorcaro teve a prisão relaxada e está em prisão domiciliar.

Defesa

Em nota, a defesa do dono do Master informou que ele tem colaborado com as autoridades: "Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência."

"O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito", complementa a nota. 

Entenda

Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.

Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro. (Com agências). 

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