"Defender a família é defender o fim da escala 6x1", diz Boulos
Ministro afirma que redução da jornada pode melhorar qualidade de vida e combater esgotamento entre trabalhadores
247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), defendeu o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal como forma de ampliar o convívio familiar e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta terça-feira (17). Segundo ele, a proposta está entre as prioridades do governo Lula (PT) para este ano.
Boulos destacou que a mudança no modelo de jornada pode impactar diretamente o cotidiano das famílias brasileiras, ao permitir mais tempo de descanso e lazer. “Esse projeto poderia se chamar ‘projeto da família brasileira’, porque nós estamos falando de passar mais tempo com a família. Estamos falando de esse trabalhador, essa trabalhadora, poder ter dois dias por semana para ficar com seus filhos, para ficar com os seus, para ter um lazer, para descanso. Qual é a convivência familiar que um trabalhador que está seis dias no trabalho e um único dia em casa consegue ter?”, afirmou.
O ministro também reforçou o compromisso do governo do presidente Lula com a aprovação da medida. “Vamos ter o fim da escala 6x1 aprovado este ano em tudo aquilo que depender do presidente Lula e do nosso governo”, declarou.
A proposta vem sendo debatida no país no contexto de modernização das relações de trabalho. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 15 de março, 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1. O modelo atual, segundo especialistas e defensores da mudança, impõe uma rotina exaustiva, reduzindo o tempo disponível para descanso, lazer, estudo e convivência social.
Boulos argumentou que a produtividade não está diretamente ligada ao aumento da carga horária, mas sim a investimentos estruturais. “Como é que o trabalhador vai se qualificar se ele não tem tempo nem para respirar? Como é que ele vai fazer um curso de qualificação se ele não tem um tempo mínimo de descanso? Não dá”, disse.
O ministro também chamou atenção para o aumento de casos de esgotamento profissional no país. Segundo ele, há um crescimento expressivo nos afastamentos por burnout. “Hoje nós estamos tendo uma epidemia de burnout, de estresse, de esgotamento, de fadiga no trabalho. Os números saíram agora, não faz nem um mês: uma explosão de mais de 400% de afastamentos por burnout. O trabalhador brasileiro está exausto”, afirmou.
A redução da jornada de trabalho, de acordo com o governo, deve ocorrer sem diminuição salarial. Para Boulos, trabalhadores com melhores condições de descanso tendem a apresentar maior produtividade. “Um trabalhador descansado é mais produtivo”, ressaltou.
O ministro ainda lembrou que a jornada semanal no Brasil permanece praticamente a mesma desde a Constituição de 1988, quando foi fixada em 44 horas semanais. Desde então, segundo ele, houve mudanças significativas no mundo do trabalho, impulsionadas por avanços tecnológicos e aumento da produtividade. “Por que o trabalhador ainda precisa trabalhar o mesmo tempo?”, questionou.
A proposta de mudança na escala de trabalho segue em análise no Congresso Nacional, com acompanhamento do governo federal. A expectativa da gestão é avançar na discussão ainda em 2026, com foco na valorização do trabalho e na melhoria das condições de vida da população.


