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Defesa de Daniel Vorcaro pede ao STF acesso a provas que embasaram prisão

Advogados questionam fundamentos da preventiva e solicitam à Polícia Federal detalhamento de mensagens, supostos pagamentos e bloqueio bilionário

Defesa de Daniel Vorcaro pede ao STF acesso a provas que embasaram prisão (Foto: Divulgação)

247 - A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso aos elementos que fundamentaram o mandado de prisão preventiva cumprido contra ele pela Polícia Federal. Os advogados afirmam que a ordem judicial foi executada sem que tivessem conhecimento prévio das provas apresentadas na investigação.

Em nota à imprensa, a defesa informou que pediu ao STF que determine à Polícia Federal a apresentação de informações objetivas que sustentaram o pedido de prisão. Segundo os advogados, o objetivo é garantir o acesso integral aos dados do processo e assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Os advogados requereram esclarecimentos específicos sobre diferentes pontos da investigação. Entre eles estão as datas das mensagens atribuídas a Vorcaro e mencionadas nos autos, além da comprovação da existência de um suposto grupo de mensagens chamado “A Turma” e a confirmação de que o empresário faria parte desse grupo.

A defesa também solicitou detalhes sobre as datas de supostas invasões a sistemas de órgãos públicos e remoções de conteúdo em plataformas digitais que teriam sido atribuídas ao investigado. Outro pedido envolve a apresentação de documentos e datas que comprovariam pagamentos mencionados na representação policial.

Além disso, os advogados pediram a identificação do documento, do número de conta e das evidências que sustentariam a afirmação de bloqueio de R$ 2,2 bilhões em uma suposta conta atribuída ao pai do empresário.

Na nota, a defesa afirmou que Vorcaro tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações. “Daniel Vorcaro sempre esteve à disposição das autoridades e segue colaborando com as investigações, confiante de que o acesso pleno aos elementos do processo permitirá o correto esclarecimento dos fatos, com respeito ao contraditório e à ampla defesa”, declarou.

Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura a existência de um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado à comercialização de títulos de crédito falsos.

Segundo os investigadores, o esquema teria sido utilizado para viabilizar operações fraudulentas com potencial impacto no mercado financeiro. A operação recebeu o nome de Compliance Zero em referência à suposta ausência de mecanismos de controle interno nas instituições investigadas.

A Polícia Federal apura crimes atribuídos a uma organização criminosa, entre eles ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Outras medidas judiciais

Além da prisão preventiva de Vorcaro, a Justiça determinou a adoção de outras medidas cautelares contra investigados no caso. Entre elas está a obrigatoriedade do uso de tornozeleiras eletrônicas por alguns suspeitos.

Os agentes federais também tentam cumprir um segundo mandado de prisão na capital paulista. O alvo dessa ordem judicial ainda não foi localizado, e o nome não foi divulgado pelas autoridades.

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